O primeiro-ministro considerou hoje que a diversificação dos credores da dívida portuguesa é essencial para reduzir os encargos com juros e colocou os investidores árabes na primeira linha dos objetivos de "gestão ativa" da dívida soberana nacional.

António Costa falava aos jornalistas em Doha, a meio da sua visita oficial de 24 horas ao Qatar, depois de um almoço oferecido pelo seu homólogo, Abdullah bin Nasser bin Khalifa Al Thani, que teve como entrada salada de lagosta, seguida de carne de camelo.

Questionado sobre a presença da presidente do IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública), Cristina Casalinho, em Doha (que não tinha sido antes divulgada), o líder do executivo português referiu que o Governo português "está a fazer uma forte aposta na redução dos encargos com a dívida", sendo uma das vias a procura de novos investidores.

"Estamos aqui [no Qatar] a trabalhar com investidores do mundo árabe nessa perspetiva", completou.

No que respeita à gestão da dívida, o primeiro-ministro referiu que, em particular, Portugal está a fazer "um esforço da redução da dívida contraída junto do FMI [Fundo Monetário Internacional], que tem taxas juro muito elevadas".

"Portanto, temos procurado diversificar os nossos credores, de forma a obtermos melhores condições de mercado", justificou.

De acordo com António Costa, a melhor forma de Portugal "reduzir os custos da dívida para o dia-a-dia dos portugueses e de se libertarem recursos para onde é necessário investir passa pela existência de uma gestão ativa da dívida".

Também neste objetivo do Governo de diversificar os credores, Costa apontou que o ministro das Finanças, Mário Centeno, esteve recentemente na China, "apresentando aos investidores chineses o quadro de oportunidades" a este nível.

Há “grande interesse” do Qatar em investir em Portugal 

O primeiro-ministro afirmou hoje que há um grande interesse do Qatar em investir em Portugal, apontando em concreto a aquisição de ativos a partir dos processos de "reestruturações" de empresas e de instituições financeiras nacionais.

As reuniões desta manhã, que foram sobretudo políticas, visaram preparar essa visita do emir a Portugal e sinalizar quais são as áreas de cooperação económica e de oportunidades de investimento que existem. Foi muito interessante ver o grande interesse que o Qatar tem neste momento em investir em Portugal", declarou o primeiro-ministro.

Segundo o líder do executivo nacional, o interesse dos investidores deste país do Médio Oriente dirige-se sobretudo aos setores da agricultura, das infraestruturas, e do imobiliário, mas também incide em "reestruturações empresariais e do sistema financeiro".

Há um conjunto de bens que estão disponíveis, que são investimentos interessantes e em que é útil estarmos a atrair investidores para não estarmos a destruir riqueza, valorizando-os e, por essa forma, colocá-los a contribuírem para o crescimento da nossa economia", especificou António Costa, numa alusão à conhecida estratégia do Qatar de aquisição de ativos em países terceiros.

Em relação ao calendário para a concretização de acordos entre os governos de Portugal e do Qatar, Costa respondeu: "Estamos a trabalhar para a que a visita do emir em julho possa já ser coroada com a concretização de várias destas perspetivas".

O primeiro-ministro defendeu ainda, perante os jornalistas, que a atual conjuntura económica nacional explica em parte o interesse de novos investidores externos.

Neste momento de viragem da economia portuguesa é muito importante diversificarmos os mercados onde queremos estreitar relações - isto após a China, a Índia e agora o Qatar. É preciso aproveitarmos este momento para atrairmos novos investimentos", acrescentou.

Após o programa institucional, o primeiro-ministro tem esta tarde encontros com a Câmara do Comércio do Qatar e com a Associação Empresarial do Qatar - duas instituições consideradas importantes num país que tem uma economia baseada no petróleo e, sobretudo, no gás, e que procura diversificar as suas áreas de investimento no mercado externo.