O processo de despedimento coletivo na TAP começa esta quinta-feira, sendo que estão abrangidos 124 trabalhadores.

De acordo com um comunicado enviado pela companhia à CMVM, a transportadora irá prescindir dos serviços de 35 pilotos; 28 tripulantes de cabina; 38 trabalhadores da área de manutenção e engenharia em Portugal e 23 trabalhadores na sede da TAP.

O despedimento surge no âmbito da execução do plano de reestruturação da transportadora, que o Governo submeteu à Comissão Europeia em dezembro de 2020 e que se encontra em apreciação por Bruxelas.

A declaração da TAP como empresa em situação económica difícil - nos termos da Resolução do Conselho de Ministros n.º 3/2021, de 14 de janeiro de 2021 - e a celebração de Acordos Temporários de Emergência com todos os Sindicatos levou a companhia a implementar, entre fevereiro e junho, "um conjunto de medidas laborais de cariz voluntário e consensual para os seus Colaboradores".

Destas medidas, destaca-se as rescisões por mútuo acordo, as reformas antecipadas, as pré-reformas, o trabalho a tempo parcial, as licenças sem vencimento, "bem como candidaturas a vagas disponíveis na Portugália – Companhia Portuguesa de Transportes Aéreos, S.A", informa nota da transportadora.

Ainda assim, a companhia relembra que o número de despedimentos representa "uma redução muito expressiva (menos 94%) face aos cerca de 2.000 colaboradores que se estimava em fevereiro virem a ser integrados no processo de redimensionamento laboral inscrito e exigido pelo Plano de Restruturação da TAP, em apreciação pela Comissão Europeia".

Esta redução no número de trabalhadores identificados para despedimento coletivo é o resultado de um esforço extraordinário que incluiu a celebração de Acordos Temporários de Emergência com todos os Sindicatos, rescisões por mútuo acordo com compensações financeiras acima do legalmente exigido, bem como candidaturas a vagas disponíveis na Portugália, entre outras medidas", sublinha a companhia.

Os prejuízos da TAP SA ascenderam a 1.230,3 milhões de euros em 2020, ano marcado pela pandemia de covid-19, um agravamento superior em 12 vezes às perdas de 95,6 milhões de 2019.

No mesmo ano, o resultado líquido negativo foi de 1.230,3 milhões de euros - um agravamento dos prejuízos de quase 1.300% face a 2019.

No início de julho, a companhia aérea lembrou que "tal como em todo o setor da aviação a operação e resultados de 2020 foram severamente impactados pela quebra de atividade em resultado da pandemia de covid-19".

Na TAP, o número de passageiros transportados caiu 72,7%, as receitas de passagens caíram 70,9%, o índice de ocupação ficou nos 64,6% (tinha sido de 80,1% em 2019), de acordo com o comunicado.