Os investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) devem “resolver as carências mais graves” na área da habitação, defendeu esta segunda-feira a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), em comunicado.

A organização reiterou assim “a importância da concretização dos investimentos previstos no PRR para o domínio da habitação, os quais estão, sobretudo, orientados para resolver as carências mais graves nesta matéria”.

A associação entende ainda que “se trata de uma oportunidade para reforçar o tecido empresarial nacional, sobretudo as pequenas e médias empresas de construção, que devem ser apoiadas no imprescindível processo de qualificação e de posicionamento competitivo”.

Citado na mesma nota, o presidente da AICCOPN, Reis Campos, referiu que “com 1.583 milhões de euros em subvenções previstas, o Estado vai ter acesso a um volume importante de fundos comunitários que lhe vão permitir responder a situações como a erradicação de condições indignas de habitação, ou a criação de alojamento urgente e temporário”.

Para o dirigente associativo, “é inquestionável a importância destas prioridades e a necessidade de executar os recursos europeus de forma correta e atempada”, assegurando que para isso “será preciso mobilizar todo o tecido empresarial do setor, que é composto por empresas de diferentes dimensões e especialidades”.

Reis Campos acredita que “qualificar as empresas e apoiar a sua transição para modelos mais sustentáveis é a única forma de cumprir o PRR e assegurar um impacto efetivo na economia e no emprego”.

Para o presidente da AICCOPN, “assumir esta oportunidade e assegurar que Portugal não fica à margem da restante Europa implica, desde já, apoiar o posicionamento competitivo das empresas portuguesas do setor, para o qual o planeamento e calendarização dos investimentos é fundamental”, apontando a “necessidade de reorientar o sistema de formação profissional, para que este possa dar resposta às necessidades das empresas”.

Segundo o líder associativo, “o aumento da oferta de habitação social, a modernização de um parque edificado que deve estar alinhado com as novas exigências em matéria de sustentabilidade e segurança, bem como o grande desafio da Construção 4.0, são objetivos que têm de avançar de imediato no terreno”, referindo que só assim é possível “começar a resolver os problemas estruturais da habitação e, simultaneamente, gerar emprego e empresas mais competitivas”.

O PRR tem um período de execução até 2026 e prevê um conjunto de reformas e investimentos para alavancar o crescimento económico.

No dia 3 de agosto, a Comissão Europeia desembolsou 2,2 mil milhões de euros a Portugal referente ao pré-financiamento de 13% do PRR, num montante global de 16,6 mil milhões de euros, aprovado no mês passado.

Agência Lusa / JGR