O ex-secretário de Estado Paulo Núncio foi advogado da empresa Petróleos de Venezuela entre 2008 e 2010. Esta é uma das empresas que fez transferências para offshore quando Núncio ainda estava no Governo.

De acordo com o jornal online Observador, as receitas da petrolífera terão sido uma parte substancial dos 7,8 mil milhões de euros transferidos através do BES para o Panamá.

Paulo Núncio fez parte da equipa de advogados da firma Garrigues, que assessorou o braço europeu da petrolífera, até 2010. Já estava no Governo quando as transferências da petrolífera foram feitas e comunicadas pelo BES, mas não registadas pela Autoridade Tributária, entre 2012 e 2014.

A TVI contactou o ex-secretário de Estado para pedir esclarecimentos, mas não obteve até ao momento qualquer resposta.

As declarações de transferências para offshore cuja informação não chegou completa aos serviços centrais do Fisco dizem respeito a pelo menos 14 bancos, sendo que 88% do valor é do BES/Novo Banco.

Face à polémcia, Paulo Núncio assumiu "responsabilidade política" e afirmou que a sua decisão de não publicar os dados do Fisco não foi partilhada nem com Vítor Gaspar nem com Maria Luís Albuquerque que tiveram a pasta das Finanças no Governo PSD/CDS.