Os acionistas do BCP aprovaram, em reunião magna, todos os pontos que constavam da ordem de trabalhos, com destaque para a entrada de dois administradores escolhidos pela Fosun, LinJiang Xu e João Nuno Palma.

A Assembleia Geral anual do BCP, realizada no Taguspark, em Oeiras, arrancou com um quórum de 54% e os sete pontos sujeitos a votação foram todos aprovados com mais de 99% do capital representado.

Além da oficialização de LinJiang Xu enquanto administrador não executivo, João Nuno Palma, antigo administrador financeiro da Caixa Geral de Depósitos (CGD), foi confirmado em funções executivas.

“Fosun dá estabilidade e confiança diferente ao BCP” 

O presidente do BCP considerou, entretanto, que a entrada da Fosun no capital do banco reforça a estabilidade acionista, antecipando ainda que as sinergias com o grupo chinês vão abrir novos negócios e mercados.

"O BCP ganha porque os administradores [LinJiang Xu e João Nuno Palma, hoje aprovados em reunião magna] não só têm qualidade por si, mas também porque representam o novo acionista que é a Fosun. E a Fosun dá-nos, de facto, uma estabilidade e uma confiança diferente", disse à Lusa Nuno Amado no final dos trabalhos da Assembleia Geral (AG) anual do banco.

"E dá-nos um alargamento da nossa base de trabalho - chamemos-lhe assim - para áreas e para negócios que até agora não cobríamos. Pensamos que, a prazo, não é uma coisa imediata, mas, a prazo, vamos conseguir aproveitar essa presença e esse contributo", assinalou.

Questionado sobre as sinergias possíveis com a Fosun que, com 25% é o maior acionista do BCP, Nuno Amado apontou para um vasto leque de oportunidades.

"Nos mercados onde nós estamos e onde eles estão, nos diversos segmentos e nas diversas áreas. Temos possibilidades em negócios e em mercados", vincou o gestor.

E reforçou: "Por exemplo, o mercado da Ásia, nós não cobrimos, mas podemos cobrir. E há, obviamente, no estrangeiro, onde nós estamos, especialmente, em áreas de negócio que eles conhecem melhor do que nós - porque não estamos nessas áreas - e seguramente vai haver sinergias e interesses comuns".

Sobre os trabalhos da AG de hoje, Nuno Amado considerou que foram "muito positivos", destacando a "elevadíssima aprovação dos diversos pontos, não só em percentagem de votos mas também em número de acionistas presentes".

O gestor assinalou que estiveram "mais de 500 acionistas representados e mais de 100 acionistas presentes, pelo que foi uma elevadíssima taxa de participação, o que é positivo para o banco e também para o trabalho que está a ser feito".

Nuno Amado sublinhou que "houve muita participação dos acionistas, mas correu muito bem" o encontro de acionistas que decorreu no Tagus Park, deixando ainda algumas palavras sobre o futuro do banco.

"Não foi um ano fácil, 2016 foi para o BCP um ano difícil, complexo, exigente e, dentro desse enquadramento, acho que a reunião correu muito bem. Espero que 2017 seja um ano algo melhor, bastante melhor, do que em 2016, de modo a que em 2018 possamos atingir plenamente a normalidade, que é também quando terminam completamente as restrições que temos face à Direção Geral da Concorrência [da Comissão Europeia]", afirmou.

Quanto à intenção de voltar a distribuir dividendos aos acionistas a partir de 2018, Nuno Amado jogou à defesa.

"Os dividendos só depois de ganharmos suficientemente dinheiro, termos rentabilidade adequada, para podermos pensar nisso. Primeiro, temos que ter a rentabilidade e é nisso que estamos a trabalhar", rematou.