A greve desta segunda-feira dos “cerca de 200” profissionais da ViaPorto ao serviço da Metro do Porto teve uma “adesão entre os 98% e os 99%”, levando a uma paralisação quase total, segundo o sindicato.

Em declarações à Lusa, Rui Pedro Pinto, do Sindicato Nacional dos Maquinistas, explicou que “o metro não está a circular” a não ser “no troço entre a Póvoa de Varzim e a estação Fonte do Cuco [na zona da Senhora da Hora, concelho de Matosinhos]”, onde estão a operar “duas a três composições, de hora a hora”.

Contactada pela Lusa, fonte da Metro do Porto explicou hoje que estas composições que circulam naquele troço da Linha da Póvoa “são conduzidas por agentes que não aderiram à greve”.

Segundo o sindicalista, “não há, no momento, nenhuma reunião agendada para retomar as negociações com a administração”, pelo que se mantêm a previsão de greve total nos dias 17 e 31 de dezembro, bem como a greve ao “trabalho extraordinário” que começou hoje e se prolonga até 06 de janeiro, com previsão de “forte impacto” na circulação do Metro.

Diariamente, são precisas 10 a 15 pessoas para fazer, cada uma, um turno extra. A partir de dia 17, entram 15 trabalhadores de férias. Com a greve às horas extra, serão ainda menos 10 a 15 trabalhadores a fazer turnos extra, pelo que esta greve também vai ter impacto”, explicou Rui Pedro Pinto.

Questionado sobre a circulação do metro entre a Póvoa de Varzim e a Fonte do Cuco, o Sindicato dos Maquinistas referiu tratar-se de uma “opção de gestão da empresa ViaPorto”.

Fonte da Metro do Porto disse no domingo à Lusa que a rede daquele meio de transporte encerrava às 00:00 de hoje até às 06:00 de terça-feira, “devido à greve dos agentes de condução”, a primeira paragem da operação em 16 anos de existência, e por não terem sido “decretados serviços mínimos”.

De acordo com o sindicalista Rui Pedro Pinto, os profissionais ao serviço da Metro do Porto reclamam uma “redução do horário normal de trabalho de 40 para 35 horas”.

A isto, soma-se a reivindicação da admissão de “20 a 30 novos trabalhadores” para “colmatar as horas extras” pedidas aos funcionários “quase diariamente”.

Os trabalhadores pedem ainda o “direito a férias” que não “conseguem gozar” devido à necessidade de cumprirem trabalho extra, diz Rui Pedro Pinto.

Segundo o sindicalista, os funcionários da ViaPorto pedem também a “formação” a que têm direito e que “a empresa não consegue dar há cerca de oito anos”, por “falta de tempo disponível dos trabalhadores”.

Rui Pedro Pinto admite estar também em cima da mesa de negociações um “aumento salarial”, mas recusa que seja o “fator mais importante”.

“Nem temos um valor definido [para o aumento salarial]. Esta questão complementa-se com as restantes”, justificou.

Concessionária da Metro do Porto acusa sindicato de "intransigência" 

Por seu lado, a ViaPorto acusou hoje o Sindicato dos Maquinistas de “intransigência” nas negociações para cancelar a greve naquele meio de transporte, porque “não quis chegar a acordo” e “exigiu sempre mais”.

Em declarações à Lusa, Luís Cabaço Martins, administrador da ViaPorto, garantiu que foi “impossível travar a greve” de hoje dos condutores devido à “intransigência” do Sindicato Nacional dos Maquinistas (SMAQ), nomeadamente quanto a “incrementos salariais totais acima dos sete por cento” e a “uma desconformidade total com as condições do concurso” vencido pela empresa para operar o Metro.

O responsável explicou que a empresa decidiu hoje “concentrar” na linha da Póvoa os “cerca de 12” condutores que não fizeram greve, para o Metro operar entre aquele local e a Fonte do Cuco (Senhora da Hora, concelho de Matosinhos), a uma “frequência de 25 minutos em hora de ponta”, por ser a zona “que tem menos oferta e alternativas de transporte”.

Segundo o administrador, a ViaPorto chegou ainda a “acordo com a STCP - Sociedade de Transportes Coletivos do Porto para garantir, a partir da Fonte do Cuco, ligações ao centro do Porto”.

Luís Cabaço Martins refere que o sindicato fez “exigências de alterações estruturais e financeiramente incomportáveis”, em negociações que decorreram “até sábado à noite” e nas quais a empresa “tentou tudo” para evitar a paralisação.

Sempre que nos aproximávamos, o sindicato tinha uma postura de afastamento. Fizemos tudo ao nosso alcance para chegar a um acordo. Admitimos até ultrapassar o nosso modelo financeiro. Mas era impossível travar esta greve [de hoje]. O sindicato não quis. Exigiu sempre mais”, explicou.

Entre as “intransigências” do sindicato, o administrador da ViaPorto aponta “incrementos salariais totais acima dos sete por cento”, a “redução do período de trabalho” e “a recusa de negociar condições para mais de um ano”.

Mais importante de tudo, a intransigência traduz-se numa desconformidade total com o concurso que a empresa venceu e que determinava as condições em que a empresa deve operar”, acrescentou o administrador.

Quanto à greve parcial às horas extraordinárias, que começou hoje e que o sindicato anunciou prolongar-se até 06 de janeiro, Luís Cabaço Martins assegura que o Metro do Porto “não falhará”.

Poderá haver algum serviço com um espaçamento maior entre viagens, mas garantimos o serviço e admitimos ajustamentos pontuais de horários que queremos que sejam impercetíveis”, afirmou.

O administrador disse desconhecer qual será o impacto desta greve parcial, notando que a empresa vai “tentar mitigar o mais possível”, para que “seja diminuto”.

Em comunicado, a ViaPorto acusa o SMAQ de apresentar “reivindicações impossíveis de satisfazer”, que levariam “à inviabilidade da empresa”, rejeitando “responsabilidades” na greve de hoje.

A empresa esclarece ainda que “dispõe dos instrumentos e dos meios resultantes do concurso público” lançado pela Metro do Porto para a gestão da operação e “espelhados no atual contrato de subconcessão, tendo sempre cumprido todas as suas responsabilidades laborais”.

A paralisação de 24 horas dos condutores afetos à ViaPorto, empresa que tem a concessão da operação da Metro do Porto, foi convocada pelo Sindicato dos Maquinistas.

A rede do Metro do Porto conta com seis linhas, servindo sete concelhos da Área Metropolitana do Porto.

A Metro do Porto refere que 9.000 pessoas podem ser transportadas por hora em cada linha.