O secretário das Finanças do Governo dos Açores avançou, nesta quinta-feira, que o plano de reestruturação da transportadora SATA tem de ser apresentado a Bruxelas até 18 de fevereiro.

Vai ser duro e muito difícil", considerou Joaquim Bastos e Silva, questionado sobre o processo de reestruturação da companhia aérea açoriana.

A SATA, "na sua proporção, é um caso ainda mais difícil que a TAP", prosseguiu, sublinhando que os dados económicos da empresa "só em termos absolutos" são menos negativos que os da TAP.

Joaquim Bastos e Silva reiterou ainda que, antes de o plano ser apresentado à Comissão Europeia, a SATA tem de devolver à região 73 milhões de euros resultantes da investigação comunitária a três aumentos de capital na empresa.

As dificuldades financeiras da SATA perduram desde, pelo menos, 2014, altura em que a companhia aérea detida na totalidade pelo Governo Regional dos Açores começou a registar prejuízos, entretanto agravados pela pandemia de covid-19.

As duas transportadoras aéreas do grupo SATA fecharam o primeiro semestre do ano com prejuízos de cerca de 42 milhões de euros, que comparam com perdas de 33,5 milhões no período homólogo.

De acordo com as demonstrações financeiras das empresas públicas regionais, é referido que a Azores Airlines (que opera de e para fora do arquipélago) teve prejuízos de 34,5 milhões de euros entre janeiro e junho, ao passo que a SATA Air Açores, que voa no arquipélago, teve perdas de 7,6 milhões de euros.

Todavia, em 2019, os prejuízos globais do grupo haviam já sido de 53 milhões de euros, valor em linha com a perda registada em 2018.

Os 73 milhões que a SATA tem de devolver

Joaquim Bastos e Silva reiterou hoje ter como "dado adquirido" que a transportadora SATA tenha de devolver à região 73 milhões de euros resultantes da investigação comunitária a três aumentos de capital na empresa.

Foi-nos comunicado verbalmente, como corresponde ao formato de uma teleconferência, e foi-nos comunicado de forma colaborante, que é um dado adquirido que, na investigação às ajudas que constituíram os aumentos de capital da SATA (...), por não terem sido comunicadas previamente a Bruxelas, constituem ajudas ilegais e têm de ser devolvidas", declarou.

Durante o debate do Programa de Governo dos Açores, que arrancou na quarta-feira no parlamento açoriano, o secretário das Finanças indicou que os três apoios investigadas pela Comissão Europeia, no valor de 73 milhões de euros, foram considerados "ajudas públicas ilegais" porque "não obtiveram autorização prévia" da entidade.

Posteriormente, fonte do executivo comunitário havia referido à agência Lusa que a investigação aberta às ajudas à transportadora SATA "continua".

Questionada sobre o anúncio do Governo açoriano, Bruxelas sublinhou que a investigação sobre "alguns apoios públicos à SATA continua".

"Nesta fase, não conseguimos prever em que momento [será revelado] e que resultado terá a investigação. De acordo com a prática normal, a Comissão está em contacto com Portugal e outras partes interessadas no contexto da sua investigação em curso", prosseguiu a mesma fonte.

Hoje, no seguimento das palavras da Comissão, Bastos e Silva frisou que a teleconferência em que lhe terá sido comunicada a posição de Bruxelas teve 12 pessoas presentes e a indicação comunitária foi feita "para ganhar tempo" e "não haver risco de interrupção do serviço da SATA", até porque reestruturar a operadora sem esta devolver as ajudas em causa "não é possível".

"Bruxelas também está preocupada com a SATA. (...) A comunicação formal [da obrigatoriedade da devolução do dinheiro] far-se-á mais à frente, mas é um dado adquirido", insistiu Joaquim Bastos e Silva.

Em meados de agosto, a Comissão Europeia deu ‘luz verde’ a um auxílio estatal português de 133 milhões de euros à transportadora aérea açoriana SATA, mas abriu uma investigação para avaliar o cumprimento das normas comunitárias em três apoios públicos à companhia.

A Região Autónoma dos Açores aprovou, desde 2017, três aumentos de capital na companhia aérea, para colmatar carências de liquidez.

São estes apoios públicos que Bruxelas investigou e definiu como ilegais, declarou hoje o secretário regional do novo executivo açoriano com a tutela das Finanças.

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