O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, anunciou, nesta segunda-feira, que o Governo não vai eleger Vítor Fernandes para o Banco Português de Fomento (BPF), pelo menos "neste momento", para proteger o próprio banco, uma vez que o ex-administrador do Novo Banco foi mencionado na Operação Cartão Vermelho.

Não vamos, neste momento, eleger o Dr. Vítor Fernandes nem de nenhum membro do conselho de administração. Esta decisão não envolve nenhum juízo do Governo à situação concreta do Dr. Vítor Fernandes, não temos informação suficiente e o que sabemos é o que está na comunicação social. Sabemos que houve buscas no Novo Banco e que o Banco de Portugal está a proceder à avaliação da sua idoneidade. Portanto, queremos proteger o Banco do Fomento desta situação", assumiu o governante, em declarações aos jornalistas, à margem de um esclarecimento sobre as medidas anunciadas para a restauração.

Siza Vieira lembrou que "Vítor Fernandes não é o presidente nem exerce nenhuma atividade" no BPF e que foi convidado pelo Governo para assumir o cargo de presidente do Conselho de Administração devido à sua experiência na banca "de 30 anos" e que esta indicação "recebeu autorização do supervisor".

O Banco de Fomento terá, assim, um "presidente interino, dentro da equipa que está, neste momento, selecionada" e em funções.

O objetivo, sublinhou Siza Vieira, é "proteger o Banco de Fomento desta situação" e que esta "não contamine o banco".

Solicitei à Procuradoria-Geral da República que fosse esclarecido, se possível, qual a situação processual, se ele foi constituído arguido", indicou, ainda.

O Banco de Portugal assegurou hoje que “toda a informação” relativamente a Vítor Fernandes “será devidamente ponderada”.

O nome de Vítor Fernandes foi indicado pelo ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital Pedro Siza Vieira para presidente do Conselho de Administração do BPF.

Também o Novo Banco decidiu avançar com uma auditoria interna à conduta dos gestores e ex-gestores na sequência da Operação Cartão vermelho, que tem Luís Filipe Vieira como arguido.

Luís Filipe Vieira foi um dos detidos na quarta-feira no âmbito da Operação Cartão Vermelho, que investiga suspeitas de crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Enquanto arguido, foram-lhe aplicadas como medidas de coação a prisão domiciliária até à prestação de uma caução de três milhões de euros, a proibição de sair do país, com a entrega do passaporte, e de contactar com os outros arguidos do processo, à exceção do filho, e ainda, entre outros, com Vítor Fernandes.

Catarina Machado