O grupo Fidelidade comprou os terrenos da antiga Feira Popular, em Lisboa, e uma outra parcela na Avenida Álvaro Pais por 274 milhões de euros. Os terrenos foram adquiridos em leilão, cuja base estava definida nos 188 milhões de euros. O projeto para os quatro lotes prevê a construção de áreas residenciais, escritórios e zonas de comércio.

Depois de sucessivos adiamentos da hasta pública, a Câmara de Lisboa conseguiu finalmente alienar as duas parcelas e os dois lotes.

A primeira tentativa de alienação destes terrenos esteve agendada para o dia 12 de novembro, mas foi adiada por duas semanas, depois de a aâmara ter recebido, no dia 7, um ofício do Ministério Público (MP), que levantava questões relativamente ao projeto de requalificação da zona, conhecido como Operação Integrada de Entrecampos.

No documento de sete páginas, e assinado pela procuradora Elisabete Matos,citado pela Lusa,  eram elencadas cinco questões: a percentagem de habitação que será incluída no projeto, a figura de operação integrada, a unidade de execução, a edificabilidade de área da antiga Feira Popular e ainda a eventual ausência de um parecer da Autoridade Nacional de Aviação Civil.

Já no dia 9 de novembro, a câmara de Lisboa respondeu às questões colocadas pela procuradora, considerando que tinham ficado esclarecidas “quaisquer dúvidas” relativamente à legalidade do projeto.

Porém, no dia 22 de novembro, o MP endereçou um novo ofício ao município, maior do que o primeiro, onde aprofundava as primeiras dúvidas e aconselhava a Câmara de Lisboa a “reponderar” o projeto de requalificação, “com vista a acautelar possíveis ilegalidades”.

Por isso, a hasta foi aberta no dia 23 de novembro, mas acabou por ser interrompida para os candidatos poderem analisar as questões colocadas, tendo ficado previsto que retomasse a 3 de dezembro, o que não aconteceu.

Encaixe de 274 milhões

A Fidelidade Property vai assim pagar à Câmara de Lisboa, por todos os terrenos que integravam a hasta pública da antiga Feira Popular e também uma parcela na Avenida Álvaro Pais, um total de cerca de 274 milhões de euros.

Os dois lotes e uma parcela de terreno que acolheram a antiga Feira Popular de Lisboa foram vendidos por 238,5 milhões de euros.

A Câmara de Lisboa esperava arrecadar 188,4 milhões com esta hasta pública, pelo que arrecadou mais 85,5 milhões do que o esperado.

As empresas Fidelidade Property Europe, SA., Dragon Method, SA., e MPEP – Properties Escritórios Portugal, SA. tinham apresentado, no dia 22 de novembro, propostas relativamente a esta hasta pública, que decorreu hoje no Campo Grande.

A Fidelidade Property Europe, SA. apresentou propostas para todos os ativos, enquanto as outras empresas estavam interessadas em apenas dois deles.

Propostas abertas 

Esta quarta-feira, as propostas foram abertas em frente aos candidatos e, depois de analisadas, foram todas aceites pelo júri do concurso, não tendo havido desistências.

A primeira parcela (A) a ser leiloada foi aquela delimitada pela Avenida da República, a Praça da Estação, a Avenida 5 de Outubro e o novo arruamento que será feito no meio do terreno onde funcionou a feira.

Para esta parcela foram apresentadas três propostas, duas ao preço base (46,1 milhões de euros) e uma com mais dez euros, por parte da empresa vencedora.

Depois de uma licitação com 148 lanços de 250 mil euros cada, a Fidelidade Property Europe, SA. arrecadou o terreno por 83,1 milhões de euros, mais 37 milhões do que a câmara estimou.

Já o segundo lote (B1) - também parte integrante do conjunto principal, e delimitado pelo lote B2, por um futuro jardim público, pelo novo arruamento e pela Avenida 5 de Outubro, - contou com duas propostas, uma da Fidelidade e outra por parte da MPEP – Properties Escritórios Portugal, SA., também pelo preço base, mais dez euros no caso da primeira empresa.

Depois de 164 lanços de licitação, a Fidelidade levou a melhor e adquiriu o terreno por 88,3 milhões de euros.

Já o lote B2, o último dentro do conjunto principal a ser leiloado, apenas contou com uma proposta, tendo sido alienado por 67,1 milhões de euros.

Parcela na Álvaro Pais

Quanto à parcela na Avenida Álvaro Pais, foi disputada ao longo de 30 lanços entre a Dragon Method, SA. e a Fidelidade Property Europe, SA., que acabou por arrecadá-la por 35,4 milhões de euros, mais 7,5 milhões face à base da licitação.

Este leilão constituiu o arranque da chamada Operação Integrada de Entrecampos, que prevê a construção de 700 fogos de habitação de renda acessível naquela zona da capital (515 construídos pelo município) e de um parque de estacionamento público na Avenida 5 de Outubro. A operação está orçada em 800 milhões de euros, dos quais 100 milhões serão responsabilidade do município.

Nos terrenos da antiga Feira Popular vão nascer mais 279 habitações, que serão colocadas em regime de venda livre, e escritórios, que a autarquia prevê que levem à criação de 15 mil novos empregos.

Entretanto, numa nota enviada aos jornalistas, a empresa a quem foram adjudicados os terrenos de Entrecampos apontou que ali irá nascer a “nova sede do grupo em Lisboa”, projeto que “teve início há cerca de um ano”.

A Fidelidade refere que “dá, assim, mais um passo para concentrar, numa única localização, os vários serviços dispersos por vários edifícios da cidade, conseguindo, desta forma, não só proporcionar melhores condições de trabalho, mas também reforçar os seus rácios de eficiência”.

A seguradora considera também que este empreendimento será “um ícone” de Lisboa, constituindo um “passo no processo de reconfiguração do portfolio imobiliária da companhia”.