A Comissão Europeia manteve hoje a estimativa de 2% de crescimento da economia portuguesa em 2019, uma décima acima das estimativas do Governo, de acordo com as previsões do Boletim das Previsões de Inverno divulgado hoje. 

O Governo estima que em 2019 o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tenha sido de 1,9%, em linha com as previsões da OCDE, FMI e Conselho das Finanças Públicas. Apenas o Banco de Portugal previu, em dezembro de 2019, um crescimento de 2% da economia portuguesa para o ano passado.

Mas o entusiasmo, parece terminar no ano que passou. É que apesar de manter a estimativa de crescimento, em 1,7% para este ano, fica duas décimas abaixo das previsões do Governo, bem como para 2021, de acordo com o Boletim.

"Globalmente, estima-se que o crescimento económico seja de 2% em 2019 e de 1,7% em 2020 e 2021", diz o documento. A procura interna, em torno dos 3% de subida, vai continuar a ser o grande motor para estas previsões da Comissão Europeia, "a refletir o aumento no consumo privado e a perspetiva de uma recuperação do investimento no início de 2020, seguido de alguma moderação a seguir." A penalizar do PIB, o facto "das importações estarem a crescerem mais que as exportações."

A Comissão deixa ainda uma nota para o crescimento dos preços versus aumento dos salários em Portugal, é que "embora se estime que o crescimento salarial tenha atingido cerca de 3% em 2019, seu impacto na inflação permaneceu limitado devido à desaceleração do crescimento do emprego."

Crescimento estável na zona euro até 2021, mas incerteza provocada por coronavírus

Em relação à zona euro Comissão Europeia manteve hoje a previsão de crescimento da economia em 1,2% este ano e 2021, após consecutivas revisões em baixa, estabilização que atribui às repercussões económicas do novo coronavírus, contrabalançadas com melhorias no emprego.

Bruxelas explica no documento que “as perspetivas para 2020 e 2021 permanecem inalteradas desde o outono porque os desenvolvimentos positivos estão a ser contrabalançados com eventos negativos”.

Assim, apesar de realçar a “criação contínua de emprego, o crescimento robusto dos salários e uma combinação das políticas [monetárias] de apoio”, o executivo comunitário admite que “o ambiente externo continua desafiador”, gerando então esta situação de estabilidade.

Um dos principais fatores externos desfavoráveis apontados por Bruxelas é o surto do novo coronavírus, que “gerou incertezas sobre as perspetivas de curto prazo da economia chinesa e sobre o grau de rutura nas fronteiras num momento em que a atividade de manufatura a nível global permanece em níveis cíclicos baixos”, de acordo com o documento.

A Comissão Europeia avisa que, “quanto mais tempo [o surto] dura, maior a probabilidade de existirem efeitos indiretos sobre o sentimento económico e as condições de financiamento global”.

Também a incerteza nas relações comerciais entre Bruxelas e Londres, após o Brexit, pesou nesta equação, adianta o executivo comunitário.

As previsões da Comissão Europeia hoje conhecidas antecipam a publicação dos dados relativos ao PIB de 2019 por parte do Instituto Nacional de Estatística (INE), que serão publicados na sexta-feira.

Alda Martins / com Lusa