O adensar da crise na Síria está a fazer pressão sobre o preço do petróleo nos mercados internacionais. O ouro negro está em máximos de novembro de 2014 e alguns especialistas do mercado admitem que pode continuar a subir. E com a matéria-prima em alta, o efeito começa a fazer-se sentir no bolso de quem tem que abastecer o carro.

Se é o seu caso, não espere por segunda-feira. A gasolina deve subir cerca de 1,5 cêntimos por litro na madrugada de domingo. No caso do gasóleo, a subida esperada é de cerca de 2 cêntimos por litro, mas claro que ainda é preciso aguardar pelos valores de fecho desta sexta-feira para fazer o cálculo final da subida.

Desde o início do ano o Brent (contrato de futuros), que serve de referência às importações portuguesas, valoriza 7,2% e o WTI (crude), negociado em Nova Iorque, +10,1%. Nos últimos 12 meses, as valorizações são de 28,2% e 25,10%, respetivamente.

Esta manhã em Londres, o Brent está a subir para 72,32 dólares por barril. Temos que recuar a novembro de 2014 para conseguir estes valores.

 

 

Os analistas, contatos pela TVI24, acreditam que a atual subida está relacionada com a situação no Médio Oriente. Para diretor da banca online do Banco Carregosa, João Queiroz, "atendendo que a produção dos EUA prevista para este ano deve conseguir responder ao aumento do consumo e supondo que não venham a ocorrer  eventos atmosféricos que causem perturbações na oferta, grande parte desta subida pode estar relacionada com a situação no Médio Oriente - região que concentra uma boa parte da produção mundial - em particular, a guerra na Síria e a tensão entre o Iémen (financiado pelo Irão) e a Arábia Saudita."

Já a gestora gestora da corretora XTB, Carla Maia Santos, refere que "a matéria-prima reagiu em alta às tensões entre os EUA e a Rússia e fez um novo máximo este ano."

Moscovo afirma que consegue intercetar mísseis norte-americanos com objetivo na Síria e o presidente Trump twitta que tem mísseis "novos, bonitos e inteligentes", para Putin se preparar.  "Neste jogo de palavras", acrescenta a gestora da corretora XTB, "o petróleo dispara em alta com receios de interrupção na oferta e distribuição por parte do Médio Oriente. Se este clima de tensão continuar e as ameaças se intensificarem, é natural que o preço do ouro negro continue a disparar em alta."

E vai mais longe, Carla Maia, "a próxima grande resistência à subida do preço encontra-se nos 88 dólares, havendo espaço para a continuação deste movimento ascendente."

Por outro lado, a desvalorização do dólar face às principais moedas também torna o investimento no petróleo mais interessante e numa altura em que se vive uma Guerra Comercial acesa, é normal que o governo de Trump continue focado em desvalorizar a moeda norte-americana de forma a tornar as exportações mais competitivas. "Assim, os ativos cotados em dólar continuarão mais apelativos, incluindo o petróleo", frisa ainda a responsável da XTB.

A economia global, de norte a sul, continua bastante robusta, dinamizando a procura por este ativo. Ainda ontem, os membros da FED reforçaram a robustez da economia norte-americana, na leitura das minutas do FOMC.

Neste momento, o que pode pôr em causa a valorização do petróleo será o reacender da Guerra Comercial entre os dois gigantes, EUA e China. Um aumento do protecionismo poderá fazer abrandar o comércio mundial, levando à diminuição da procura do combustível que faz mover muitas empresas", conclui Carla Maia.