O Sindicato dos Bancários do Norte (SBN) vai avançar com um processo em tribunal contra o presidente do BCP, Miguel Maya, acusando-o de má-fé e desrespeito pelos sindicatos, disse à agência Lusa o presidente.

O Sindicato dos Bancários do Norte vai mover uma ação contra o Dr. Miguel Maya por má-fé, por desrespeito pela Constituição, pelos sindicatos”, disse o presidente do SBN, Mário Mourão, à Lusa.

Esta quinta-feira, foi anunciado que o BCP e o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) e Sindicato dos Bancários do Centro (SBC) acordaram uma atualização dos salários referente a 2018 (com retroativos) e 2019.

Referindo que os trabalhadores do BCP não eram aumentados desde 2010, as direções do SBSI e do SBC afirmaram que estes “mereciam mais”, mas assinalaram que este “foi um primeiro passo”.

Em declarações esta sexta-feira à agência Lusa, Mário Mourão considerou que o que o BCP fez foi uma manobra estratégica, quando estava a negociar com Sindicato dos Bancários do Norte, o Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários (SNQTB) e Sindicato Independente da Banca (SIB) ainda os aumentos de 2018.

O que fez com os outros sindicatos foi chamar já para inviabilizar as propostas do Sindicato dos Bancários do Norte”, considerou.

O SBN tem estado nos últimos meses em discussão com o BCP a propósito dos aumentos salariais de 2018, tendo o processo seguido para mediação do Governo (através da Direção-geral do Emprego e das Relações do Trabalho), tendo a mediadora proposto uma atualização de 0,5% e 0,75% da tabela salarial do BCP, que o sindicato já tinha aceitado e que o BCP anunciou na quinta-feira (quando anunciou o acordo com os outros sindicatos) que também aceitou.

Já para 2019, o SBN ainda não está em negociação formal com o BCP, uma vez que até esta semana não estava acordado o aumento de 2018. O BCP propôs 0,6% para 2019, enquanto o sindicato quer um aumento salarial médio de 2,28%.

Segundo Mário Mourão, o sindicato está disponível para negociar, mas não aceita imposições.

O que o sr. Miguel Maya está a fazer não é negociação, é imposição, o SBN é livre, está disponível para negociações, não para imposições”, afirmou, considerando que o que o presidente do BCP está a fazer é tentar “pôr os trabalhadores contra o sindicato”.

O BCP e os sindicatos dos Bancários do Sul e Ilhas e dos Bancários do Centro anunciaram, na quinta-feira, que chegaram a acordo com a administração do BCP sobre a atualização da tabela salarial.

Segundo o comunicado do BCP ao mercado, para 2018 foi acordada a atualização da remuneração base em 0,75% até ao nível 6 e de 0,50% dos níveis 7 a 20; aumento do subsídio de almoço diário de 9,39 euros para 9,50 euros, atualização de outras prestações pecuniárias em 0,50%, atualização das contribuições do banco para os SAMS em 0,50%, atualização do subsídio de apoio à natalidade de 500 euros para 750 euros.

Para 2019 o acordo prevê atualização da remuneração base em 0,75% até ao nível 6 e de 0,50% nos níveis seguintes, atualização do subsídio de almoço diário para 9,65 euros e aualização das contribuições do banco para os SAMS de 0,50%.

O BCP disse ainda que já informou a DGERT da aceitação da atualização proposta para 2018, no processo de mediação com o SBN, pelo que "irá atualizar igualmente a tabela salarial e as cláusulas de expressão pecuniária para o ano de 2018 dos colaboradores filiados no SBN, Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários e Sindicato Independente da Banca".

Contudo, disse, "com estes sindicatos fica pendente de acordo a revisão da tabela salarial de 2019", referindo o BCP que "pretende que ocorra com a maior brevidade possível"

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