Os acionistas do BPI aprovaram, esta terça-feira, a venda de 2% do Banco de Fomento de Angola (BFA) à operadora Unitel, por 28 milhões de euros, confirmaram à Lusa representantes dos acionistas à saída da assembleia-geral.

A aprovação aconteceu à segunda tentativa, depois de a anterior reunião magna, de 23 de novembro, sobre o mesmo assunto ter sido suspensa e adiada a decisão para hoje.

Foi em setembro que a administração do BPI, liderada por Artur Santos Silva e Fernando Ulrich, propôs a venda de 2% do BFA à operadora angolana Unitel, por 28 milhões de euros, numa operação que significa o fim do controlo daquele banco angolano pelo BPI e que foi apresentada como a "única solução" para cumprir as exigências do BCE (Banco Central Europeu) que obrigam à redução da exposição ao mercado angolano, onde Frankfurt entende que a supervisão bancária não é equivalente à europeia.

BPI: Angola autorizou transferência de dividendos de 2015 do BFA para Portugal

O BPI tinha anunciado esta terça-feira que foi autorizada pelo Banco Nacional de Angola a transferência para Portugal dos dividendos do Banco de Fomento Angola (BFA) relativos ao exercício de 2015, de 36,9 milhões de euros.

Já no que respeita aos dividendos do BFA relativos ao exercício de 2014 que ainda não foram transferidos, no montante de 29,2 milhões de euros, diz o banco que aguarda "a respetiva autorização de transferência a muito curto prazo", no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Em setembro, quando a administração do BPI propôs a venda de 2% do BFA à operadora angolana Unitel, por 28 milhões de euros, foi dito que essa operação seria feita no pressuposto que a Unitel faria "todos os esforços que sejam possíveis" para pagar até 09 de dezembro de 2016 os dividendos do BFA relativos aos exercícios de 2014 e 2015, no valor global de 66 milhões de euros.

O BPI está em processo de venda de parte da sua participação no BFA, decorrendo esta terça-feira à tarde a assembleia-geral de acionistas no Porto para deliberar sobre a operação.

Esta decisão já era para ter sido tomada na assembleia-geral de 23 de novembro, mas a reunião magna foi suspensa por proposta do CaixaBank, tendo o banco espanhol (maior acionista do BPI, com 45,50%) justificado que queria esperar pela confirmação do Banco Central Europeu (BCE) de que a venda parcial do BFA é suficiente para solucionar o excesso de concentração de riscos do BPI em Angola.

Contudo, os jornais adiantaram que a verdadeira razão estaria relacionada com o Caixabank querer pressionar os angolanos a pagarem os dividendos ainda em falta relativos ao banco em Angola.

Ainda quanto a outros pagamentos, esta segunda-feira à noite, também em comunicado ao mercado, o BPI informou que recebeu a 09 de dezembro da Unitel 30 milhões de dólares (28 milhões de euros) "correspondentes à última parcela do preço da operação" de venda de 49,9% do BFA em 2008.

 
Redação