O sindicato da Groundforce marcou esta quarta-feira uma greve para o mês de agosto. Como base da decisão do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal (STTAMP) está o atraso no pagamento de salários e subsídio de férias.

A empresa de handling anunciou também esta quarta-feira que ia rejeitar a ajuda da TAP para o pagamento destas prestações aos trabalhadores, o que não caiu bem nos representantes laborais.

A Groundforce considera “inaceitáveis” as condições do adiantamento sugerido pela TAP e apelou à companhia aérea para que pague os serviços já prestados.

A SPdH [Groundforce] respondeu ontem [terça-feira], numa carta escrita com a autoridade de quem, nos últimos dois meses, adotou uma postura construtiva, com a reserva que o processo de venda em curso exige e sem contribuir para o ruído mediático, que tanto prejudicou a empresa o e os seus trabalhadores. E respondeu, explicando que os termos e as condições nos quais assenta o adiantamento proposto pela TAP são inaceitáveis”, informou a empresa de serviços de assistência em aeroportos, em comunicado.

Em causa está a proposta da TAP para assegurar, a título de adiantamento de pagamento, o subsídio de férias dos trabalhadores da SPdH, conhecida pelo nome comercial Groundforce, mas agora a empresa de handling diz não quer adiantamentos da TAP, mas que a companhia aérea “pague os serviços já prestados”.

Com efeito, a 30 de junho de 2021, a TAP devia à SPdH a quantia global de 7.196.431 euros, sendo que 3.048.349 euros se encontram vencidos”, apontou a Groundforce.

Segundo a empresa liderada por Alfredo Casimiro, se os serviços já tivessem sido pagos, a Groundforce “teria tido condições para honrar os seus compromissos com as Finanças e com a Segurança Social, que vencem a 20 de julho, bem como com os trabalhadores, pagando os salários deste mês e os subsídios de férias”.

A proposta [da TAP], aparentemente bem intencionada, foi de imediato partilhada com a comunicação social, não deixando grandes dúvidas sobre as suas reais intenções a dois dias de começar a ser julgado o processo de insolvência movido precisamente pela TAP”, referiu a Groundforce, que disse estranhar “o calendário da proposta”, por lhe parecer que o objetivo da TAP é “posicionar-se no processo de insolvência, antes da audiência de produção de prova”.

A empresa de handling considera que se trata de um “estratagema jurídico de última hora” por parte da TAP, “consciente de que não possui qualquer crédito sobre a Groundforce” e, assim, propondo-se ser “sub-rogada em créditos de trabalhadores para poder dizer que, afinal, é credora privilegiada”.

Vasco Rosendo / com Lusa