A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) considera que o risco de crédito é um dos "três riscos fundamentais" em 2021, a par do risco de mercado e riscos ambientais e sociais, segundo a presidente Gabriela Figueiredo Dias.

Neste exercício identificámos três riscos fundamentais para 2021: risco de crédito, risco do mercado e riscos ambientais e sociais", disse aos jornalistas a presidente da CMVM, numa conferência de imprensa realizada por videoconferência relativa às prioridades do regulador para este ano.

Relativamente ao risco de crédito, "este havia já sido identificado em 2019 como um possível risco relevante ou muito relevante para 2020, e naturalmente que não poderíamos ter antecipado o nível de impactos que vieram efetivamente a verificar-se por força da crise pandémica", disse a responsável máxima do regulador do mercado.

Segundo Gabriela Figueiredo Dias, esse impacto do risco de crédito aconteceu "designadamente nas empresas não financeiras, nas famílias e nos Estados, ou governos, nos orçamentos públicos".

Este foi um risco que se materializou em 2020 mas que prevemos e que antecipamos que em 2021 possa ser fortemente agravado, designadamente em face do agravamento das circunstâncias pandémicas e uma situação de novo confinamento, e dos consequentes impactos que daí advêm, designadamente em termos de possíveis - eu diria prováveis ou inevitáveis - situações de insolvência que geram depois riscos adicionais de crédito", sustentou a presidente da CMVM.

Gabriela Figueiredo Dias vincou também a "incerteza" gerada nos mercados devido à situação pandémica e riscos associados, elencando também a "dificuldade de avaliação dos ativos em face da volatilidade dos mercados e dos preços", associada a falta de liquidez, algo que consubstancia o "risco significativo" para os investidores.

A responsável falou ainda dos riscos de conduta no mercado decorrentes da pandemia, como "a procura de retornos mais significativos por parte dos investidores e a tomada de maior risco", "a maior agressividade na colocação de produtos por parte dos emitentes ou originadores, eles próprios a braços com dificuldades financeiras", e ainda riscos "relacionados com os custos e comissões associados a investimentos financeiros, que são "excessivamente não comparáveis e por vezes diluem o retorno anunciado", sendo "um risco significativo para a própria confiança no mercado".

Quanto aos riscos ambientais, sociais e de governo societário (ESG), "estão em força, de forma muito significativa e com exemplos já muito concretos, a entrar no nosso perímetro e no nosso espaço de intervenção como supervisores", disse a presidente da CMVM.

Invadiram de forma inevitável a atividade dos próprios supervisionados, e nós, como supervisores, temos de estar atentos aos riscos que daí decorrem, fundamentalmente em termos informativos", completou.

Gabriela Figueiredo Dias referia-se aos riscos de 'greenwashing', ou seja, "o aproveitamento desta onda de favorecimento positiva dos temas ESG, mas daquilo que as empresas associado a este tema possam querer dizer aos seus supervisionados de forma não integralmente adequada, correta e ajustada".

/ AG