O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, e o Secretário de Estado das Infraestruturas, Jorge Delgado, reúnem esta terça-feira, pelas 21:00, com a ANTRAM e o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), responsável pela greve dos motoristas de matérias perigosas.

A reunião vai decorrer nas instalações do ministério das Infraestruturas e da Habitação.

Não estão previstas declarações do ministro e do secretário de Estado no final da reunião, disse à Lusa fonte oficial do gabinete.

Na origem desta reunião está a greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00:00 de segunda-feira, e que foi convocada pelo SNMMP, por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica.

Após a requisição civil, os militares da GNR mantiveram-se de prevenção em vários pontos do país para que os camiões com combustível pudessem abastecer e sair dos parques sem afetarem a circulação rodoviária.

Na sequência da greve dos motoristas de transporte de matérias perigosas, há já vários postos de combustíveis encerrados e muitos outros com filas de clientes à espera para abastecerem.

A greve deixou o aeroporto de Faro sem ser abastecido desde segunda-feira e o de Lisboa desde hoje, com a ANA a admitir "disrupções operacionais".

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) apelou aos cidadãos para que deem prioridade aos veículos de emergência médica nos postos de abastecimento, explicando que todas as viaturas foram atestadas de manhã.

Sindicato disponível para cumprir serviços mínimos após notificação pelas empresas

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) afirmou que está disponível para cumprir os serviços mínimos decretados pelo Governo após notificação pelas empresas sobre quantos trabalhadores são necessários para esse efeito.

Em declarações à Lusa, o vice-presidente do sindicato, Pedro Pardal Henriques, disse que falou por telefone “já várias vezes” com o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, sobre a greve que começou na segunda-feira e que está a afetar o abastecimento de combustíveis no país.

Nós dissemos ao senhor ministro aquilo que já tínhamos dito antes, que parte dos serviços mínimos estão a ser assegurados, ou seja, os serviços de saúde e da proteção civil estão a ser assegurados e dissemos que estávamos disponíveis para cumprir a lei no que respeita à requisição civil”, afirmou o sindicalista.

Por isso, segundo acrescentou, “logo após a notificação que as empresas fizerem ao sindicato para que determinemos quais são os trabalhadores que irão fazer os serviços mínimos, nas 24 horas seguintes, que não serão necessárias serem esgotadas provavelmente, determinaremos quais os motoristas que vão fazer isso”.

Até ao momento, apenas uma empresa notificou o sindicato, disse a mesma fonte.

As outras [empresas] têm estado a ameaçar os trabalhadores com despedimento. Aliás, acho que já devem estar todos os trabalhadores despedidos e até vejo com alguma dificuldade que sejam feitos serviços mínimos”, considerou o dirigente do SNMMP.

De acordo com Pedro Pardal Henriques, o ministro das Infraestruturas comprometeu-se a falar com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), que continua a recusar sentar-se à mesa com o sindicato para negociar.

Estamos neste impasse: o senhor ministro a fazer pressão à ANTRAM e nós a aguardar por essa reunião”, afirmou o sindicalista.

Hoje, o ministro da Economia, Siza Vieira, frisou que com a requisição civil “todos os motoristas de escala” estão obrigados a cumprir os serviços mínimos.

Porém, o sindicalista defendeu que “não existem escalas”, uma vez que elas são determinadas na véspera, tendo a greve começado nesse dia, ou seja, às 00:00 de segunda-feira.

Estas pessoas estão desde domingo à meia-noite em greve e o contrato de trabalho suspendeu-se nessa altura”, reforçou Pedro Pardal Henriques, considerando que o Governo está a “tentar tapar o sol com a peneira”.

 

Em vez de andarem a tentar passar por cima de um problema como se ele não existisse, deviam era pressionar a ANTRAM a sentar-se com o sindicato e resolver esta situação antes que entremos num estado de calamidade pública”, frisou o dirigente sindical.

Segundo o sindicalista, dificilmente os trabalhadores irão desmobilizar “porque foram ignorados durante 20 anos e estão a aguardar que alguém os ouça”.

O sindicato foi criado "há cerca de cinco meses" e representa perto de 800 trabalhadores, de um universo de quase 900, disse Pedro Pardal Henriques.

A estrutura sindical começou por ser uma associação mas, segundo a mesma fonte, a ANTRAM entendeu que a mesma não tinha legitimidade para negociar, tendo a associação se convertido em sindicato, explicou.

Somos totalmente independentes e não aceitamos ligar-nos a nenhuma entidade sindical nem a nenhum partido político", acrescentou Pardal Henriques.