A greve dos motoristas de matérias perigosas, que decorre desde as 00:00 de segunda-feira, não está a afetar os arquipélagos da Madeira e dos Açores, onde não há registo de profissionais a participar na paralisação.

Aqui na Madeira, felizmente, não há qualquer problema com o abastecimento de combustíveis, nem há os problemas laborais que estão a acontecer no continente", declarou à agência Lusa o vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado.

Nos Açores, o abastecimento de combustível não está comprometido, disse à Lusa a Secretaria Regional dos Transportes e Obras Públicas, que tutela o Fundo Regional de Coesão, o organismo que garante “o regular abastecimento de bens essenciais às populações das diferentes ilhas da região”.

O Governo Regional dos Açores não tem preparado nenhum plano de contingência, já que os combustíveis chegam ao arquipélago por via marítima e que mesmo o abastecimento dos barcos é garantido através de ‘pipelines’.

Sobre os motoristas de matérias perigosas, a tutela adiantou que não tem conhecimento de nenhum trabalhador em greve na região e que esta é uma matéria de reconhecimento da carreira a nível nacional que, passando a letra de lei, será também aplicada nos Açores.

Também na Madeira, segundo Pedro Calado, não há motoristas de matérias perigosas em greve, em resultado da “boa negociação e intermediação entre os interesses das entidades patronais e dos sindicatos”, privilegiada pelo executivo.

O Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários e Atividades Metalúrgicas, que representa na região o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, fechou, em março, as negociações laborais, tendo o Contrato Coletivo de Trabalho sido publicado no Jornal Oficial da Região Autónoma da Madeira em 04 de março.

Na Madeira, os trabalhadores deste ramo já têm a sua situação revista e estão satisfeitos, porque as suas pretensões foram acolhidas e recebidas, já no início deste ano", observou.

O vice-presidente salientou ainda que a Madeira tem reservas para algum tempo (três meses) e que o fornecimento de combustíveis se faz por via marítima, quer através do Terminal de Sines, quer de Sines, para o porto do Caniçal (no leste da ilha Madeira).

Relativamente ao gás natural que abastece a Central Elétrica dos Socorridos – e envolve transporte rodoviário entre Sines e o Porto de Lisboa -, Pedro Calado recordou que a infraestrutura também funciona com combustível fóssil.

Se houver algum problema com o gás natural temos os combustíveis em alternativa, mas temos reservas que dão para três meses", apontou.

O executivo insular está “tranquilo com a situação na Madeira” e lamenta “a falta de diálogo laboral no continente”.