Os Transportes Sul do Tejo (TST) admitiram que "poderão vir a ocorrer algumas perturbações" na realização dos serviços até que seja restabelecido o abastecimento de combustível. 

Numa nota no site pode ler-se que "informamos que devido à greve realizada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), poderão vir a ocorrer algumas perturbações na realização dos nossos serviços até que seja restabelecido o abastecimento de combustível."

E acrescenta a empresa "pedimos desculpa pelos eventuais incómodos que esta situação possa vir a causar-lhe."

Mas à Lusa acabaram por admitir que estão a ser suprimidos alguns serviços da empresa, explicando que as ligações continuarão a ser reduzidas até que as reservas se esgotem: a TST “já se encontra a suprimir serviços” e se o problema não for resolvido nos próximos dias, as ligações vão continuar a ser “progressivamente reduzidas ou suprimidas, à medida que as reservas de combustível da empresa se forem esgotando.”

Para minimizar os impactos na mobilidade dos clientes, a TST está a alterar alguns dos seus serviços “de modo a fazer a ligação a outros operadores de transporte”, como a Fertagus, a CP, a Metro Transportes do Sul, a Transtejo e a Soflusa.

A TST informou que interrompeu as carreiras que ligam Setúbal, Palmela e Pinhal Novo a Lisboa, e só as vai retomar a partir das 16:30, no sentido de Lisboa para a Margem Sul.

Neste momento, não estão a ser realizadas as carreiras rápidas que ligam Setúbal, Palmela e Pinhal Novo a Lisboa. Estas carreiras voltam a ser realizadas a partir das 16:30, no sentido de Lisboa para Sul, de forma a assegurar o regresso dos nossos clientes”, anunciou a empresa, num comunicado divulgado às 14:30.

No que toca à margem a cima do Tejo, e ainda em torno da capital, à TVI a Carris disse que, "não há problema, para já", em matéria de circulação.

A TVI ainda não conseguiu falar com a Vimeca ou com a Barraqueiro, sendo que ontem, à Lusa, a segunda tinha dito que o grupo tinha combustível para “mais um ou dois dias no máximo”, mas, se a greve dos motoristas de pesados de mercadorias se prolongar, admitiu “suprimir serviços públicos de transportes."

Rodoviária do Oeste reduz serviços ao mínimo

Já a Rodoviária do Oeste admitiu, entretanto, reduzir os serviços ao mínimo nos próximos dias, para garantir o transporte de alunos no regresso às aulas, se a greve dos motoristas de matérias perigosas se prolongar.

A situação é muito grave, as reservas estão baixíssimas e, se a greve se prolongar, a empresa não terá outra solução que não seja reduzir os serviços ao mínimo”, disse hoje à agência Lusa Orlando Ferreira, administrador da Rodoviária do Oeste.

A empresa, do Grupo Rodoviária do Tejo, informou em comunicado que “face à greve de motoristas do transporte de matérias perigosas e consequentes dificuldades no abastecimento de combustíveis” poderá “ser forçada” a fazer alterações na oferta de transportes.a”.

O número de carreiras a suprimir “dependerá de as empresas de transportes fora de Lisboa e Porto serem incluídas nos serviços mínimos” e do número de dias de greve dos motoristas: “Mesmo que a greve termine rapidamente o reabastecimento vai demorar algum tempo a ser regularizado”.

A Rodoviária do Oeste (que opera nos concelhos de Alcobaça, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Peniche e nas ligações a Torres Vedras e Lisboa) prevê divulgar ainda hoje os horários que serão suprimidos.

A CP - Comboios de Portugal admitiu que a sua operação “poderá evoluir desfavoravelmente” caso não seja reposta a normalidade no abastecimento de combustíveis.

Em declarações à agência Lusa, fonte oficial da transportadora referiu que “está a acompanhar a evolução das necessidades de abastecimento dos seus depósitos em articulação com as entidades competentes e, até ao momento, não existe rutura de combustível, sendo que, no contexto atual, a situação poderá evoluir desfavoravelmente".

Também as empresas de transportes rodoviários indicaram hoje que têm combustível para, “no limite, dia e meio”, avançou à Lusa o presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP), Luís Cabaço Martins.

Transtejo e Soflusa acionam plano de abastecimento por via marítima

A Transtejo e a Soflusa (TTSL) acionaram hoje o plano de contingência de abastecimento de combustível através de via marítima para assegurar as ligações fluviais no Tejo, anunciaram as empresas.

O plano de contingência da TTSL está em curso, encontrando-se garantido o abastecimento dos navios da frota”, avançou a administração, comum a ambas as empresas, numa nota enviada à agência Lusa.

As empresas de transporte fluvial esclareceram, desta forma, que hoje “não ocorreu qualquer interrupção no serviço” por insuficiência de combustível, apesar de os tanques da Transtejo se terem esgotado.

Rodoviária do Tejo prepara redução de carreiras

A Rodoviária do Tejo vai suprimir, a partir de quinta-feira, algumas carreiras, fora das horas de maior procura, para tentar assegurar combustível para o transporte escolar na próxima semana, disseram fontes da empresa.

Marco Henriques, da Direção Operacional (DOP) de Santarém da Rodoviária do Tejo, disse à Lusa que, se se mantiver a impossibilidade de abastecimento nos postos da região até terça-feira, mesmo reduzindo os serviços nos próximos dias, haverá “muita dificuldade” em assegurar o transporte dos alunos.

Neste momento não há nenhuma bomba onde abastecer e as nossas reservas estão a ser usadas para as viaturas que fazem a ligação a Lisboa, mas estão a ficar reduzidas”, disse.

Transdev admite ser forçada a alterar oferta

A empresa de transporte rodoviário de passageiros Transdev, com 1.500 autocarros, informou hoje que poderá alterar a oferta dos serviços na sequência da greve dos motoristas de matérias perigosas.

Face às crescentes dificuldades no abastecimento de combustíveis que, em função da greve dos motoristas de matérias perigosas, estão a afetar de forma generalizada todo o território nacional, a Transdev Portugal informa que, nos próximos dias, poderá ser forçada a realizar alterações à oferta dos serviços de transporte rodoviário de passageiros”, refere um comunicado enviado à Lusa.

No mesmo comunicado, a empresa salienta ser alheia a esta situação, antecipando “desculpas aos seus utentes pelos incómodos que possam vir a ser causados pelo impasse na resolução desta situação”.

A Transdev Portugal compromete-se a, atempadamente e sempre que tal se justificar, informar os seus utentes sobre eventuais alterações que possam ocorrer nos serviços”, acrescenta o comunicado.

A Transdev, que atua em todo o país, assegura transporte público sobretudo em concelhos do Norte e Centro do país, onde tem a concessão de transporte escolar, e serviços urbanos e interurbanos.

Até ao momento [18:52] a Transdev não alterou os seus serviços, mas tendo em conta as dificuldades de acesso ao combustível, é possível que venha a ter de alterar algumas operações”, disse à agência Lusa a responsável de comunicação da Transdev em Portugal, Bruna Ferreira Pelarigo.