No dia 26 de Julho de 2007, Vítor Constâncio recebeu José Berardo no Banco de Portugal (BdP) levando na agenda, entre outros temas, o pedido para se assumir como um dos principais acionistas particulares do maior banco privado do país, o BCP, noticia o Público.

Este encontro dá-se um mês antes de Constâncio participar, a 28 de agosto de 2007 (devidamente documentado), no Conselho de Administração (CA) do BdP que aprova a ata da reunião anterior (na qual o governador esteve ausente) e em que Constâncio não se opõe ao pedido de reforço da posição qualificada da Fundação José Berardo (FJB) no BCP. Só depois dessa reunião, ainda nesse mesmo dia, 28 de agosto, é que o BdP emitiu nota a dar luz verde ao investidor para aumentar a sua posição no BCP.

Diz ainda o Público que eram 11:00 da manhã de 26 de julho de 2007 quando José Berardo - que era então o rosto da campanha publicitária do American Express, a marca de cartões representada pelo BCP - deu nas vistas ao entrar na sede do BdP, na baixa de Lisboa, para se reunir, não com o vice-governador do BdP, Pedro Duarte Neves (com o pelouro da supervisão), mas sim com o governador Vítor Constâncio. Uma das matérias que seria abordada estava relacionada com a intenção de subida da participação qualificada da FJB no BCP de 3,88% para entre cinco e 9,99%, pedido esse que tinha sido enviado a 19 de junho ao CA do BdP.

E na altura, de acordo com a ata do conselho de 28 de agosto, Constâncio não colocou qualquer entrave ao dossiê Berardo. É nessa reunião que os administradores que decidiram pela “não oposição” à subida da presença da FJB no BCP, sustentada numa conta corrente de 350 milhões na Caixa, assinam a ata de 21 de agosto.

Este é o ponto sensível. E sublinhado já publicamente por alguns juristas, como António Lobo Xavier, que disse na TVI que “ao saber como Berardo se ia financiar, o BdP concordou com a operação e autorizou-a indiretamente. Podia ter-se oposto e não se opôs”.

O ex-governador  regressa hoje ao parlamento, depois da polémica em torno deste tema.