As estruturas sindicais da função pública estão a reunir-se outra vez, esta manhã, com o Governo com a expetativa de poderem negociar aumentos salariais superiores a 0,3%, apesar do Orçamento do Estado (OE) para este ano já estar fechado. À saída da reunião Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administração, disse que a única alteração, face à primeira proposta, é um aumento de 10 euros, para os salários mais baixos.

A resposta do Governo foi manter em 0,3% a atualização salarial para os funcionários públicos e aumentou de sete para 10 euros a atualização para os níveis 4 e 5 da Tabela Remuneratória Única”, referiu Ana Avoila, no final de uma reunião no Ministério da Modernização do Estado e Administração Pública, assinalando que, com esta resposta, o Governo não deixa alternativa aos trabalhadores que não seja avançar para novas formas de luta.

Inicialmente o Executivo sugeriu uma "atualização de 7 euros (o que resulta num crescimento superior a 1%) para trabalhadores que se encontrem posicionados entre o Nível 4 da Tabela Remuneratória Única (TRU) (cujos salários sobem para 642,07 euros) e o Nível 5 (cujos salários sobem para 690,13 euros)." 

Com o aumento a situar-se, agora, nos 10 euros, a base da tabela avançará, assim, dos atuais 635,07 euros para 645,07 euros, no caso do Nível 4. Já os funcionários públicos que se encontram no Nível 5 avançarão dos atuais 683,13 euros para os 693,13 euros.

També, a presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), Helena Rodrigues, saiu hoje da reunião do o Executivo defraudada e prometeu “avançar para uma grande manifestação” de protesto, em resposta à proposta do Governo.

“Conversarei com todos os que estejam dispostos a avançar com uma grande manifestação daqueles que trabalham", referiu Helena Rodrigues no final da terceira reunião no Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública sobre o processo negocial de atualização salarial em 2020, adiantado que "todos os trabalhadores têm de começar a pensar se uma greve geral não faz sentido”.

Questionada sobre se equacionava uma greve geral dos trabalhadores dos sectores público e privado, a dirigente sindical afirmou estar "a apelar pelo menos a uma grande manifestação do setor público e privado. De todos queles que vivem do trabalho".

A Frente Sindical liderada pelo STE foi hoje a segunda estrutura sindical da função pública a ser recebida pelo secretário de Estado da Administração Pública, José Couto.

Não foi um processo negocial. De negocial teve zero e consideramos que para todos aqueles que vivem do seu salário e reforma a reposta tem de ser muito clara”, referiu a dirigente sindical, sublinhando que o problema dos salários baixos afeta tanto trabalhadores do setor público como do privado.

Helena Rodrigues manifestou a sua convicção de que “o Governo não vai fazer mais nada” pelo que trabalhadores e aposentados terão de ver qual a “resposta que devem dar”.

Já o secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap), José Abraão, classificou hoje de “embuste” as negociações de aumentos salariais, acusando o Governo de ter ignorado todas as matérias contrapropostas pelos sindicatos.

Reagindo à única proposta que o Governo, José Abraão afirmou que a posição do Governo será agora avaliada e terá uma resposta por parte da estrutura sindical.

“A Fesap vai reunir secretariado nacional depois do Carnaval e há de decidir tomar posição relativamente a esta postura de inflexibilidade do Governo”, salientou José Abraão.

Rita Barão Mendes / (Atualizada às 14:16) ALM