A agência de rating canadiana DBRS alerta esta terça-feira que as medidas recentemente anunciadas pelo Banco Central Europeu (BCE) podem não bastar para “reavivar o ímpeto de crescimento no curto prazo” na zona euro.

Na perspetiva da DBRS, enquanto a mudança na orientação futura e os TLTROs [operações de refinanciamento de prazo alargado direcionadas ao apoio ao crédito bancário] vão assegurar que as condições de política monetária permanecem acomodatícias, essas ações podem não ser suficientemente estimulantes para reavivar o ímpeto do crescimento no curto prazo”, indica a DBRS num relatório divulgado hoje, onde acrescenta que “as incertezas externas e os fatores específicos de cada país podem continuar a pesar no desempenho económico”.

A agência de ‘rating’ recorda que “a primeira subida nas taxas de juros pós-crise financeira foi adiada”, tendo o BCE mudado a sua orientação futura sobre as taxas, na sua última reunião de 07 de março, quando antecipou manter os juros nos baixos níveis atuais “pelo menos até ao final de 2019”, em vez de “pelo menos até ao final do verão de 2019”.

Nessa reunião, o BCE decidiu também manter a estratégia de reinvestimento de títulos de dívida que cheguem ao fim da sua maturidade e lançar uma nova série de ‘targeted longer-term refinancing operations’ (TLTROs), ou seja, operações de refinanciamento de prazo alargado direcionadas ao apoio de crédito bancário, o TLTRO-III, que decorrerá entre setembro de 2019 e março de 2021.

No documento, a agência de ‘rating’ canadiana antecipa um crescimento económico mais lento na Europa, na sequência das revisões em baixa das previsões económicas.

A DBRS recorda que, no início do mês, o BCE desceu a sua estimativa de expansão da zona euro para 1,1% em 2019, face à anterior estimativa de dezembro, de um crescimento de 1,7%, e depois da expansão abaixo do esperado de 1,8% em 2018.

A DBRS indica também que “não prevê qualquer subida dos juros na zona euro pelo BCE até que haja indicações de uma inflação mais alta e de um crescimento económico mais forte” na região.

Na mesma nota a DBRS indica que prevê um abrandamento da economia do Reino Unido e refere que a desaceleração na produção industrial, nomeadamente no fabrico de carros e produtos em aço, assim como no setor da construção, estão a contribuir para o enfraquecimento da economia britânica.

No mesmo sentido, indica a agência de ‘rating’, “estudos sugerem que a incerteza em torno da saída do Reino Unido da União Europeia (‘Brexit’) é um fator que afeta negativamente as decisões de investimento” e “é provável que o abrandamento do comércio global seja outro fator”.

A DBRS recorda que nas previsões de inverno a Comissão Europeia aponta para um crescimento de “apenas 1,3% em 2019” da economia britânica.