O presidente da Nissan Motor Co Ltd, Carlos Ghosn, foi detido em Tóquio, e está a ser questionado pelas autoridades, devido a suspeitas de fuga aos impostos, noticia a Reuters, citando os media japoneses.

O jornal “Asahi” fala de rusgas nos escritórios da sede da Nissan e em outros locais na noite de segunda-feira.  E as estação pública, NHK, e a Kyodo News referem que Ghosn, que também é presidente executivo da Renault em França, pode ficar preso.

Em comunicado, o fabricante automóvel confirmou, com base em denúncias, uma “investigação interna nos últimos meses sobre conduta imprópria envolvendo o presidente e Carlos Ghosn” e Greg Kelly, outro alto dirigente.

Além disso, em relação a Ghosn, há várias outras ações "de má conduta que foram descobertas, como o uso pessoal de ativos da empresa”, lê-se no comunicado, citado pela Lusa.

A Nissan deu informações ao Ministério Público do Japão e “cooperou plenamente com a investigação”, o que continuará a fazer, acrescentou a empresa, que pediu desculpas aos acionistas.

Na reação, as ações da Renault caíram mais 5% no início da sessão de bolsa. Já os títulos da Nissan registaram uma perda de 12%.

Ghosn, é considerado um executivo de topo no Japão, muito reconhecido por  ter conseguido recuperar a Nissan, perto da falência. Mas pode ter escondido para do salário que ganha para pagar menos impostos.

Nascido no Brasil, descendente de libaneses e cidadão francês, iniciou sua carreira na Michelin na França, e depois seguiu para a Renault. Juntou-se à Nissan em 1999, depois de a Renault comprar uma participação controladora na fabricante nipónica, e tornou-se presidente executivo em 2001. Cargo que ocupou até ao ano passado quando subiu a presidente.

Em junho, os acionistas da Renault aprovaram a remuneração de Ghosn no valor de 7,4 milhões de euros (8,45 milhões de dólares) para 2017. Salário que acumulou com os 9,2 milhões de euros ganhos pelo seu último ano à frente da Nissan, como presidente executivo.