O antigo presidente dos Estados Unidos da América (EUA) Bill Clinton considera que os países da zona euro e o BCE devem impulsionar medidas de crescimento para sair da crise, porque manter apenas as políticas de austeridade criará «problemas».

Clinton participou hoje conjuntamente com o príncipe das Astúrias, Felipe de Bourbon, num fórum sobre juventude e emprego organizado pela rede universitária Laureate, da qual é reitor honorário, que decorreu na Universidade Europeia de Madrid, tendo considerado que, face ao período de baixo crescimento económico e de baixa inflação, as medidas de austeridade são insuficientes para dar a volta à crise.

O antigo governante pediu desculpa aos jovens por serem as maiores vítimas de uma crise que não causaram e que foi originada nos EUA, ao mesmo tempo que os aconselhou a serem otimistas sobre o seu futuro profissional, procurando trabalho noutros países europeus enquanto não melhorem as perspetivas de emprego nos seus países de origem.

Depois de ouvir o diagnóstico económico de Clinton, a ministra alemã do Trabalho, Ursula von der Leyen, que também participava no evento, tomou a palavra para defender as políticas do seu Governo ao nível da União Europeia, conforme relatou a agência de notícias espanhola Efe.

Bill Clinton admitiu que a Alemanha investiu muito dinheiro na União Europeia, algo que, na sua opinião, «o resto da Europa subestima», mas assinalou que os credores «podem querer recuperar o dinheiro demasiado depressa».

Referindo-se à Alemanha, Clinton argumentou que os credores são «talvez demasiado famintos», quando «muitas vezes o dinheiro é preciso para investir em empregos e formação» profissional.

O ex-estadista acrescentou que detesta a dívida, mas que a receita de uma política orçamental sem redução das taxas de juro que vai acompanhada de austeridade tem «um limite».

E considerou que a crise «não se vai solucionar de uma forma instantânea» e que não haverá uma recuperação total dos países europeus em dificuldades e do conjunto da União Europeia «se se mantém a austeridade de forma constante em épocas de baixo crescimento e baixa inflação».

Pelo contrário, Clinton defendeu que «a zona euro e o Banco Central Europeu têm que impulsionar a economia de alguma forma para que este problema se resolva».

De acordo com o político norte-americano, «num momento em que a procura é baixa, o investimento privado é baixo e o desemprego é alto, se se tem durante anos uma política de austeridade sem nada que incentive a economia, vai haver problemas».