A Cofina deu esta manhã mais um passo para comprar a Media Capital, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A empresa liderada por Paulo Fernandes, anunciou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a dona da TVI e justifica a decisão com uma "estratégia de consolidação dos media no plano global" prometendo manter a media capital como "um ativo com identidade portuguesa".

As ações estavam suspensas, pela CMVM, desde terça-feira, a aguardarem o desenvolvimento das negociações que, entretanto, tinham sido confirmadas.

Na sequência da celebração, no dia 20 de setembro de 2019, de um contrato de compra e venda de ações com a Promotora de Informaciones, S.A. (“PRISA”), para a aquisição de ações representativas de 100% do capital social da Vertix, SGPS, S.A. (“Vertix”), que é titular de ações representativas de 94,69% (noventa e quatro vírgula sessenta e nove por cento) dos direitos de voto do Grupo Média Capital, SGPS, S.A., (...) a Cofina - SGPS, S.A. torna pública a decisão de (...) lançar uma oferta pública geral e voluntária de aquisição da totalidade das ações representativas do capital social do Grupo Média Capital, SGPS, S.A. (“Oferta”)", diz o comunicado.

O documento refere ainda que o negócio fica dependente, como previsto nestas situações, da não-oposição da Autoridade da Concorrência; autorização da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC); aprovação, pela Assembleia Geral da Prisa bem com por credores da empresa espanhola.

Acresce a necessidade de “aprovação e execução de um ou mais aumentos do capital social do Oferente [Cofina] por novas entradas em dinheiro, no montante necessário para, conjuntamente com a parcela de financiamento bancário a contrair pelo Oferente, financiar a aquisição.”

Apesar do objeto da Oferta ser constituído pela totalidade das 84.513.180 ações ordinárias, escriturais e nominativas, com o valor nominal de 1,06 euros, representativas do capital social e dos direitos de voto da Media Capital, considerando que a Vertix declarou a sua intenção de não aceitar a Oferta, as 80.027.607 ações por si detidas foram "objeto de uma instrução irrevogável de bloqueio". Ou seja, a Cofina ainda que tenha feito uma Oferta geral, apenas poderá ser aceite pelos titulares das restantes 4.485.573 ações, representativas de 5,31%.

A Cofina adianta que a contrapartida oferecida é de 2,3336 euros por ação, "a pagar em numerário, o que, tendo em consideração o número de ações objeto da oferta, corresponde a um valor total da oferta de 10.467.533,1528 euros, ao qual se deduzirá qualquer montante (ilíquido) que venha a ser atribuído a cada ação, seja a título de dividendos, de adiantamento sobre lucros do exercício ou de distribuição de reservas, fazendo-se essa dedução imediatamente a partir do momento em que o direito ao montante em questão tenha sido destacado das ações e desde que tal ocorra antes da liquidação da Oferta".

O preço máximo por ação estabelecido no contrato de compra e venda é de 2,1322 euros.

A contrapartida corresponde ao preço médio, ponderado pelo volume, das ações no mercado regulamentado Euronext Lisbon, nos seis meses imediatamente anteriores à divulgação do anúncio preliminar.

O acordo com a espanhola Prisa para a compra da totalidade das ações da Media Capital valoriza empresa em 255 milhões de euros ('enterprise value' o que corresponde ao valor da compra mais a dívida).

Também em comunicado, a Prisa informa que a administração do grupo espanhol "acordou vender à Cofina a totalidade da participação" que detém na sua "filial Vertix SGPS", que detém 94,69% da cotada Media Capital, "sobre a base de um valor de empresa ['enterprise value'] desta última de 255 milhões de euros, o que pressupõe um preço de 170.635.808,30 euros pela participação indireta da Prisa" na dona da TVI.

Segundo as estimativas da Prisa, esta transação pressupõe perdas (em termos contabilísticos) de "76,4 milhões de euros" nas contas consolidadas do grupo espanhol.

Contas feitas, a OPA Cofina tem duas frentes. Primeiro a oferta 2,3336 euros por ação dirigida aos títulos cotados em bolsa no total de 5,31 % das ações do grupo. Uma parcela que vai custar cerca de 10,5 milhões de euros à Cofina. Depois comprará os restantes 94,69% da media capital, por 170,6 milhões de euros. A tal participação detida pelo fundo Vertix. Nesta o valor a pagar será menor: 2,1322 euros por cada ação.

O grupo Cofina detém, além do Correio da Manhã e da CM TV, o Jornal de Negócios, a revista Sábado, o Record, entre outros títulos.

Por sua vez, a Media Capital conta com seis canais de televisão e a plataforma digital TVI Player. Além da TVI, canal generalista em sinal aberto que celebra 26 anos, conta com a TVI24, TVI Reality, TVI Ficção, TVI Internacional e TVI África.

A Media Capital tem também rádios, onde se inclui a Comercial.

Linhas editoriais e profissionais serão mantidas

Posteriormente, ao anúncio, o presidente do conselho de administração, Paulo Fernandes, garantiu aos trabalhadores do grupo que o acordo com a espanhola Prisa pretende manter “linhas editoriais” e “todos os profissionais” dispostos a colaborar no novo projeto.

Numa carta enviada aos trabalhadores, a que a agência Lusa teve acesso, Paulo Fernandes diz que o projeto da Cofina passa “por manter as linhas editoriais dos diferentes meios de comunicação social que detém, bem como todos os profissionais que estejam dispostos a colaborar neste novo projeto”.

A Cofina SGPS anunciou hoje que chegou a acordo com a espanhola Prisa para comprar a totalidade das ações que detém na Media Capital, valorizando a empresa em 255 milhões de euros.

“Após um intenso período negocial, foi concluído um importante passo no sentido de assegurar o desenvolvimento e o crescimento da empresa e a sua sustentabilidade futura”, refere o responsável, especificando que os ativos detidos pela Cofina terão uma ampla complementaridade com os ativos detidos pela Media Capital, partilhando valores como a independência, a total autonomia das linhas editoriais dos diversos meios, e a sustentabilidade financeira.

“Esta aquisição garante a existência de um grupo de media independente e capaz de reforçar o papel que os media têm enquanto pilar essencial à vida de uma sociedade democrática”, lê-se ainda no documento.

No que diz respeito à atividade de produção, segundo Paulo Fernandes, “o caminho passará por intensificar a criação de conteúdos de perfil exportador, tendo em vista a transposição para a legislação nacional da designada ‘diretiva Netflix’”.

O novo Grupo Cofina constituir-se-á como uma plataforma capaz de assegurar aos portugueses uma oferta diversificada de conteúdos de informação e entretenimento, através da imprensa escrita, televisão e rádio, seja ‘offline’ ou ‘online’”, reforça.

Caso a aquisição venha a ser aprovada pelos reguladores, o seu financiamento estará assegurado através de crédito bancário já aprovado e da realização de um aumento de capital, como foi hoje comunicado ao mercado.

Excluindo a percentagem do capital em ‘free-float’ [capital disperso], o aumento de capital está garantido em mais de 50% pelos atuais acionistas de referência, sendo, no entanto, possível que entrem novos investidores com posições qualificadas”, explica o líder da Cofina.

 
/ (Atualizada às 14:00) ALM