É já esta segunda-feira que Mário Centeno se estreia, oficialmente, na condução do seu primeiro Eurogrupo enquanto líder destas reuniões dos ministros das Finanças da zona euro, em Bruxelas. Uma reunião que surge apenas três dias depois de a Comissão Europeia ter deixado alguns elogios, mas também recomendações a Portugal, como dar corda ao ritmo das reformas. 

O ministro português das Finanças encontrou-se, nos últimos dias, com os presidentes do Conselho Europeu, Donald Tusk, e da Comissão, Jean-Claude Juncker. O seu primeiro teste na presidência do Eurogrupo acontece cerca de uma semana depois de ter tomado posse, recebendo o testemunho do seu antecessor, Jeroen Dijsselbloem. Tocou, simbolicamente, o sino.

Temas da reunião de hoje

O ponto forte da agenda de hoje é o programa de assistência à Grécia, mas também as conclusões da mais recente missão de vigilância pós-programa a Portugal, a sétima, realizada entre 28 de novembro e 6 de dezembro de 2017. Foi precisamente deste relatório que saíram as tais recomendações a Portugal.

Comissão Europeia e o Banco Central Europeu consideram que a recuperação económica de Portugal "voltou a ganhar ímpeto", mas alertaram também para que o ajustamento estrutural planeado "está em risco de se desviar significativamente" dos requisitos europeus, considerando por isso importante "conter o crescimento da despesa pública" e "utilizar os ganhos resultantes de uma redução da despesa com juros, para acelerar a redução da dívida pública".

Quanto à Grécia, é o único país atualmente sob programa. O Eurogrupo deverá saudar os progressos feitos no quadro da terceira avaliação do ajustamento e “a boa cooperação” que se verifica atualmente entre as instituições e as autoridades gregas.

Está ainda prevista uma discussão sobre os passos a dar para a concretização daquela que tem sido apontada como uma das prioridades pelo novo presidente do fórum de ministros das Finanças do euro: o aprofundamento da União Económica e Monetária.

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Antes da reunião do fórum informal de ministros das Finanças da área do euro, Centeno deslocar-se-á, de manhã, às sedes do Conselho e da Comissão, para encontros com Tusk e Juncker, os primeiros desde a sua eleição para a presidência do Eurogrupo, em dezembro passado.

E o trabalho em "casa"?

Para Portugal, o que muda com as ausências esporádicas de Centeno? Mais trabalho, é uma certeza, para o ministro que acumulará o seu cargo atual em Portugal com a nova exigência europeia. Mais trabalho não só para ele, como para toda a sua equipa.

A organização da equipa e do ministério mantêm-se, com mais volume trabalho para todos, mas que cada um acumula. Não há grandes alterações em termos de reorganização", disse à TVI24fonte das Finanças.

Portugal passa a ser representado nas reuniões presididas por Centeno pelo secretário de Estado das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, que defenderá assim a posição do Governo na (curta) discussão sobre a mais recente missão pós-programa a Portugal. Diz-se estar confortável em “substituir” o ministro.