O Norte assistiu, no último trimestre de 2016, ao “mais acentuado crescimento do emprego” dos últimos 15 anos, tendo aumentado 2,2% em termos homólogos, conclui o relatório Norte Conjuntura, da Comissão de Coordenação da Região Norte (CCDR-N), hoje divulgado.

No 4.º trimestre de 2016, num contexto marcado, ao nível nacional, pelo mais forte crescimento do PIB em termos homólogos desde há mais de seis anos, a região do Norte assistiu, por seu turno, ao mais acentuado crescimento do emprego desde há 15 anos (+2,2%, em termos homólogos) e viu a taxa de desemprego alcançar o valor mais baixo desde há mais de sete anos (11,5%)”, refere o relatório trimestral Norte Conjuntura elaborado pela CCDR-N.

A subida de 2,2% no emprego da região equivale a mais cerca de 35 mil pessoas empregadas, para um total de 69% no quarto trimestre de 2016 que compara com 66,7% no trimestre homólogo de 2015.

Segundo o relatório, no 4º trimestre de 2016, o ramo de atividade que, em termos homólogos, mais impulsionou o crescimento do emprego na região do Norte, foram as atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares, com mais 18 mil empregados do que um ano antes, correspondentes a uma variação homóloga de 33,8%.

O relatório da CCDR-N destaca também o crescimento do ramo do alojamento, restauração e similares com mais cerca de 17 mil empregados e, em sentido descendente, o comércio por grosso e a retalho, com menos cerca de 18 mil empregados do que um ano antes, para uma variação homóloga de -6,8%.

A comissão de coordenação explica o crescimento do emprego na região Norte com o “aumento do número de trabalhadores empregados por conta de outrem com contrato sem termo (mais 23 mil pessoas do que um ano antes, para uma variação homóloga de 2,3%)”, realçando ainda o crescimento do emprego feminino, cuja variação homóloga se cifrou em 3,1% no último trimestre de 2016, e do crescimento do número de trabalhadores empregados com escolaridade completa ao nível do ensino superior.

Em termos remuneratórios, o salário médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem da região Norte cifrou-se em 776 euros e observou, em termos reais, um crescimento de 1,7% face ao período homólogo de 2015.

Também nos últimos três meses de 2016, a taxa de desemprego na região Norte cifrou-se em 11,5%, tendo sido “o mais baixo desde há mais de sete anos”, atingindo cerca de 208 mil indivíduos, menos 37 mil pessoas (ou -15%) do que no trimestre homólogo de 2015 e menos sete mil que no trimestre anterior.

Em sentido contrário, a taxa de desemprego de jovens (menos de 25 anos) subiu para 28,8% (valor que compara com 25,8% no trimestre anterior e com 33,6% no período homólogo de 2015), com a incidência do desemprego de longa duração a manter-se “muito elevada”, nos 65,3%, para desempregados há mais de um ano.

Ainda de acordo com o relatório, nos últimos três meses de 2016 a generalidade dos indicadores disponíveis relacionados com o consumo privado manteve uma evolução positiva, “sendo de destacar a aceleração do crescimento das importações de bens de consumo duradouros (+15,9% em termos homólogos, resultado que compara com +4,3% no trimestre anterior)”.

Ao mesmo tempo, o “movimento nos estabelecimentos hoteleiros da região do Norte e respetivos proveitos registou nova aceleração de crescimento no 4.º trimestre de 2016, contrastando com a desaceleração sentida nos dois trimestres precedentes”, acrescenta.

Os números de dormidas e de hóspedes cresceram 13,2% e 9,5%, respetivamente, face ao período homólogo de 2015, os proveitos totais alcançaram uma variação homóloga de 21,4% e os proveitos de aposento cresceram 24,1% em termos homólogos.

Já quanto ao investimento, o número de obras licenciadas passou a “apresentar uma tendência de crescimento em todos os segmentos (habitação e outros fins) e tipos de obra (construções novas ou outras obras)”, destacando-se a subida de licenças emitidas para obras de construções novas para habitação familiar.

Paralelamente, o emprego na construção cresceu 6,0%, em termos homólogos no 4º trimestre de 2016, em aceleração face ao registo do trimestre anterior (crescimento de 1,6%) e somando dois trimestres consecutivos com crescimento, depois de um período em que alternou trimestres com tendência positiva com outros de tendência negativa.

Lançado em 2006, o relatório “Norte Conjuntura” é publicado trimestralmente e inclui uma análise de outros temas como o consumo privado, o investimento, a procura externa, a indústria, o turismo, os preços no consumo, o crédito e a aplicação dos fundos da União Europeia.

/ ALM com Lusa