O Novo Banco quer vender 1.200 milhões de euros em crédito malparado até ao final do ano, segundo disse o presidente executivo, António Ramalho, à agência de informação financeira Bloomberg.

A maior parte destes créditos problemáticos fazem parte da carteira de ativos problemáticos designada Nata III que estava a ser preparada antes da crise desencadeada pela covid-19, tendo as vendas sido ajustadas.

No início de setembro, em conferência de imprensa a propósito da auditoria ao banco feita pela Deloitte, o presidente executivo do Novo Banco considerou que a suspensão das vendas de ativos caducou com a entrega da auditoria e disse que a alienação da carteira Nata III seria discutida com o Fundo de Resolução.

Nata III é uma operação que tem uma percentagem significativa de ativos protegidos pelo CCA [mecanismo de capital contingente], portanto, naturalmente que esse assunto será discutido com o Fundo de Resolução. O pedido expresso [de suspensão das vendas de ativos] era até à entrega da auditoria, essa solicitação caducou”, afirmou António Ramalho.

Questionado sobre se o banco iria retomar a venda de ativos imobiliários, Ramalho respondeu afirmativamente, mas que não tem previsão sobre quando serão feitas mais vendas em pacote de imóveis. Contudo, afirmou, quer cumprir o acordado de o Novo Banco ter lucros em 2021.

No início de agosto, o Fundo de Resolução disse à Lusa que terá em conta a crise económica e o contexto dos mercados na avaliação que fará dos ativos que o Novo Banco queira vender este ano, situações que são desfavoráveis a alienações.

Sobre a injeção de capital que o banco irá pedir ao Fundo de Resolução referente a este ano (que tem sido um tema político 'quente'), António Ramalho não respondeu na semana passada, no parlamento, remetendo esses dados para quando o ano fechar.

Apenas referente ao primeiro semestre, o Novo Banco estimou a injeção de capital em 176 milhões de euros.

Nascido na resolução do BES (em 3 de agosto de 2014), 75% do Novo Banco foi vendido em outubro de 2017 ao fundo de investimento norte-americano Lone Star, mantendo o Fundo de Resolução bancário 25%, numa solução acordada entre Banco de Portugal e Governo.

Aquando da venda foi acordado um mecanismo de capital contingente, que prevê que até 2026 o Fundo de Resolução compensa o Novo Banco por perdas de capital num conjunto de ativos que 'herdou' do BES até 3.890 milhões de euros, desde logo perdas que se verifiquem aquando da venda desses ativos.

Desde então e até hoje, o Fundo de Resolução já injetou 2.976 milhões de euros (dos quais 2.130 milhões de euros vieram de empréstimos do Tesouro) e ainda poderá colocar mais de 900 milhões de euros, valores que têm impacto nas contas públicas uma vez que o Fundo de Resolução é uma entidade da esfera do Estado.

Além das perdas registadas com a venda de ativos que estejam cobertos pelo mecanismo de capital contingente, para as injeções de capital do Fundo de Resolução também contribuem os prejuízos passados registados em ativos cobertos por aquele mecanismo e eventuais provisões que o Novo Banco faça nesses ativos.

/ AG