A Comissão Europeia abriu esta sexta-feira uma investigação aprofundada à compra da companhia aérea canadiana de baixo custo Transat pela Air Canada, que operam na Europa, por temer impactos na concorrência, nomeadamente em altura de crise gerada pela pandemia.

“A Comissão Europeia deu início a uma investigação aprofundada para avaliar a proposta de aquisição da Transat pela Air Canada, ao abrigo do regulamento das concentrações da União Europeia”, informa o executivo comunitário em comunicado.

Bruxelas justifica temer que a operação proposta “possa reduzir a concorrência nos serviços de transporte aéreo de passageiros entre o Espaço Económico Europeu e no Canadá”.

Acresce que o negócio “foi proposto à Comissão num momento em que o setor da aviação está particularmente afetado pelo surto” de covid-19, no dia 15 de abril passado, precisa a instituição.

A Comissão pretende agora investigar “em que medida a crise do novo coronavírus poderá afetar as operações da Air Canada, da Transat e das suas concorrentes e, consequentemente, o panorama concorrencial a médio e longo prazo”, indica o executivo comunitário, frisando que “as concentrações [de empresas] têm efeitos estruturais a longo prazo na concorrência, que têm de ser considerados mesmo em períodos de choques graves que afetam a economia”.

Concorrentes diretas, a Air Canada e a Transat são, respetivamente, a primeira e a segunda maiores transportadoras aéreas de passageiros a realizar serviços regulares entre o Espaço Económico Europeu e o Canadá, num total de 29 rotas de 10 países, incluindo Portugal, Bélgica, Croácia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Países Baixos, Espanha e Reino Unido.

Com o negócio agora proposto, a Comissão Europeia diz recear impactos “significativos na concorrência nos 33 pares de cidades de origem e de destino”.

Citada na nota de imprensa, a vice-presidente executiva Margrethe Vestager, responsável pela política de concorrência, aponta que a instituição vai “avaliar cuidadosamente se a operação proposta afetaria negativamente a concorrência nestes mercados, conduzindo a preços mais elevados, a uma qualidade reduzida ou a uma menor escolha para os passageiros que sobrevoam o Atlântico”.

E aludindo ao impacto da pandemia de covid-19, que obrigou à suspensão de várias rotas por várias semanas devido às medidas restritivas adotadas pelos governos, Margrethe Vestager observa que “este é um momento difícil, especialmente nos mercados gravemente afetados pelo surto”.

“O regresso a condições de mercado normais e saudáveis deve assentar em mercados que se mantenham competitivos”, defende ainda.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou quase 345 mil mortos e infetou mais de 5,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,1 milhões de doentes foram considerados curados.

/ AM