Os funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras começaram esta quarta-feira uma greve de três dias em protesto contra a falta de pessoas nos serviços documentais. A adesão à greve ronda os 80%, segundo dados provisórios do sindicato, que criticou os baixos salários dos funcionários do serviço documental, em média de 600 euros líquidos.

Os números do primeiro dia de greve dos funcionários do serviço documental “ainda não são definitivos, até porque há pessoas de férias, mas as nossas estimativas são de uma adesão de 80%”, disse à Lusa a presidente do Sindicato dos Funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SinSEF), Manuela Niza.

A greve está a ter uma forte adesão no atendimento ao público. Nos serviços da avenida António Augusto Aguiar, por exemplo, são os mediadores culturais que estão a fazer o atendimento ao público”, acrescentou Manuela Niza, sublinhando que está “imensa gente à porta” daquele serviço do SEF situado em Lisboa, onde “as marcações estão a ser reagendadas e os processos estão parados”.

Responsáveis pela análise documental, são estes trabalhadores que tratam também dos Vistos Gold, dos reagrupamentos familiares, fazendo a análise de quem pode ou não vir para Portugal.

Têm uma enorme responsabilidade, mas o salário médio líquido são 600 euros. Podiam ir para o centro de saúde tirar senhas para distribuir pelos utentes porque iriam ganhar exatamente o mesmo”, descreveu.

A greve é convocada pelo Sindicato dos Funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SinSEF), cuja presidente disse à agência Lusa que todos os setores do serviço poderão aderir à greve, apesar de este ser o sindicato que representa os funcionários do serviço documental.

Manuela Niza destacou a importância de um serviço que representa uma grande parte do trabalho do SEF, considerando "lamentável que não se olhe para estes funcionários específicos, com um trabalho específico" com a mesma atenção que outras áreas.

No dia 21, a direção do SEF afirmou que a greve não afetaria o controlo de fronteiras porque a paralisação “não corresponde aos funcionários da Carreira de Investigação e Fiscalização do SEF com funções diretas no controlo de fronteira”, lembrando que o Sindicato dos Inspetores de Investigação, Fiscalização e Fronteiras (SIIFF) suspendeu a greve marcada entre os dias 20 e 31 de dezembro.

Adesão à greve dos administrativos abaixo dos 10%

A adesão à greve dos funcionários administrativos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) foi inferior a 10%, tendo provocado o encerramento de 10 dos 37 postos de atendimento ao público, segundo dados do SEF.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o gabinete de comunicação do SEF indica que no primeiro dia de greve aderiram ao protesto 55 dos 606 funcionários da carreira não policial (9,08%).

Estes números estão muito abaixo dos dados provisórios apresentados anteriormente pela presidente do Sindicato dos Funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SinSEF), Manuela Niza, que apontavam para uma adesão a rondar os 80%.

Segundo os dados divulgados agora pelo SEF, dos 37 postos de atendimento disponíveis ao público a nível nacional, “27 encontram-se abertos ao público, tendo 10 encerrado devido à greve”.

Já nos serviços centrais do SEF não houve registo de funcionários em greve, acrescenta o gabinete de imprensa.

A greve dos funcionários administrativos do SEF, que não envolve os funcionários da Carreira de Investigação e Fiscalização do SEF com funções diretas no controlo de fronteira, termina na sexta-feira.

“No total dos 1.420 funcionários do SEF (Carreira de Investigação e Fiscalização e Regime Geral), a percentagem de adesão à greve por parte dos funcionários não policiais representa 3,87% do universo dos trabalhadores do SEF”, acrescenta ainda o SEF