Trabalhadores da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) entregaram um abaixo-assinado contra uma proposta de aumento salarial de 10 euros e apenas para quatro níveis da tabela remuneratória, considerando ser “insuficiente e desequilibrada”.

De acordo com Ana Pires, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), a sugestão apresentada pela empresa, tutelada pela Câmara Municipal de Lisboa, é desequilibrada e injusta, porque não abrange todos os cerca de 800 trabalhadores.

A empresa começa por responder não a tudo e depois com zero e, entretanto, evolui de forma muito pequena para este valor que está no comunicado, que são os 10 euros. Os trabalhadores consideram que o valor é muito insuficiente e desequilibrado. Temos ainda a questão de ser só para os quatro primeiros níveis, portanto, nem sequer abrange metade dos trabalhadores da empresa”, referiu.

Em contrapartida, os trabalhadores apresentaram uma proposta de aumento salarial de 90 euros.

A sindicalista adiantou que a reivindicação dos trabalhadores é “muitíssimo importante” porque estão há 11 anos sem aumento de salários e com as carreiras congeladas.

Os trabalhadores da EMEL fizeram a proposta para o aumento salarial, no quadro do Acordo de Empresa que têm, de 90 euros para todos os salários, um valor para negociar”, realçou, indicando que é, depois da publicação de uma nova tabela salarial, a primeira vez que apresentam uma proposta de aumento de vencimento para 2021.

Hoje, o CESP anunciou, em comunicado, que os trabalhadores consideram inaceitável a posição da EMEL face às negociações do Acordo de Empresa, que propõe um aumento de 10 euros para os quatro primeiros níveis da tabela.

Cerca de 300 trabalhadores estiveram reunidos em plenário entre os dias 20 e 23 de abril e concluíram que a proposta da empresa é “muito insuficiente”, adiantando que é “necessário e obrigatório que se valorizem os salários”.

Nas quatro reuniões plenárias, os trabalhadores assinaram um abaixo-assinado, que foi, posteriormente, entregue ao Conselho de Administração da EMEL, ao presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS) e aos vereadores municipais.

A dirigente sindical lamentou que a EMEL justifique o não aumento salarial com a perda de receitas devido ao confinamento e às medidas do estado de emergência, que levaram à suspensão da atividade.

Não consideramos que este impacto [da pandemia] seja sinónimo de não aumentar os salários, até porque a EMEL é uma empresa que, ao longo dos anos, tem tido resultados muitíssimo significativos e tem – inclusive – sido responsável por um conjunto de obras e de investimento na cidade de grande significado na cidade”, disse.

Em resposta enviada à Lusa, a EMEL explicou que, em 2020, a empresa perdeu cerca 30% das suas receitas, devido ao período durante o qual esteve sem cobrar estacionamento na via pública e nos parques, para fazer face ao contexto pandémico.

Esta situação de saúde pública veio, infelizmente, a reagravar-se no início do ano, o que levou a que, mais uma vez, a EMEL, cumprindo deliberações do município de Lisboa, suspendesse o pagamento do estacionamento, com o objetivo de aliviar a tensão e preocupações de residentes e de quem, por questões profissionais ou outras, tinha que se deslocar e movimentar em Lisboa”, adiantou.

Apesar de recomendar prudência, devido ao atual quadro económico-financeiro da empresa, a EMEL sublinhou que “entendeu dever fazer um esforço de negociação no âmbito do Acordo de Empresa em vigor”, de modo a “reconhecer o profissionalismo e dedicação demonstrados pelos seus trabalhadores e trabalhadoras”.

Esse esforço, após análise cuidadosa, levou a que fosse proposto um aumento de 10 euros para os quatro níveis mais baixos da sua tabela salarial, abrangendo 348 trabalhadores e trabalhadoras de um total de 790 que atualmente compõem a empresa”, é acrescentado.

A EMEL lembrou ainda que nunca “faltou com os seus compromissos perante os seus trabalhadores e as suas trabalhadoras, garantindo sempre, sem recurso ao ‘lay-off’ ao contrário de muitas outras empresas, os contratos de trabalho, as regalias e os postos de trabalho de cada um dos seus trabalhadores e de cada uma das suas trabalhadoras”, considerando que a sua postura deve ser reconhecida.

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