O antigo presidente do Tribunal de Contas Guilherme d’Oliveira Martins disse este sábado que não se deve ter uma "leitura triunfalista" da recomendação para a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo, momento que classificou como "necessário e justo".

Segundo o antigo ministro, que falava aos jornalistas na Bibioteca Municipal de Loulé, "neste momento não podemos ter qualquer leitura triunfalista" relativamente à recomendação da Comissão Europeia, mas sim "uma leitura muito realista", uma vez que se trata de "uma enorme responsabilidade".

Guilherme d’Oliveira Martins e o ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva estiveram este sábado em Loulé numa sessão de agradecimento público, por parte do município, pela oferta de milhares de livros das suas coleções à biblioteca Sophia de Mello Breyner Andresen, em Loulé.

O antigo presidente do Tribunal de Contas considerou que a saída do procedimento é "uma enorme responsabilidade", mas um momento "inteiramente necessário e justo", observando que os portugueses, a quem se devem também os resultados obtidos "são normalmente melhores perante as dificuldades".

A saída deve-se fundamentalmente à resposta positiva da economia portuguesa relativa aos estímulos que teve", referiu o atual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, sublinhando sempre ter dito que "a austeridade pela austeridade não era a solução adequada".

Questionado pelos jornalistas sobre se o desempenho da ecomonia portuguesa deixa tempo ao ex-Presidente da República para ler, Cavaco Silva respondeu que agora tem tempo para ler porque é ele que "manda" na sua agenda, o que é "talvez o maior ganho" que teve a partir de março de 2016.

"Mas há uma coisa que eu não consigo perder, que é o hábito de trabalho", confidenciou, escusando-se a comentar o estado da economia no país por estar agora "muito recatado".

Em fevereiro passado, o ainda Presidente da República, Cavaco Silva, doou parte da sua biblioteca pessoal, num total aproximado de cinco mil obras, à Biblioteca Municipal de Loulé.

Já Guilherme d'Oliveira Martins e a mulher doaram àquela biblioteca um acervo de aproxidamente 15 mil obras, embora apenas um terço tenha sido até agora entregue.

Todas as obras doadas por ambos estarão disponíveis para consulta e empréstimo, embora os livros raros estejam guardados no depósito da biblioteca.

Aníbal Cavaco Silva nasceu a 15 de julho de 1939 em Boliqueime, concelho de Loulé, terra de residência da sua família, ali tendo passado a infância e grande parte da juventude, de onde saiu aos 17 anos, para seguir os seus estudos superiores em Lisboa.

Guilherme d'Oliveira Martins também tem raízes na freguesia de Boliqueime, de onde eram naturais a sua mãe e avós.