Artigos para bebé personalizados, máscaras de proteção individual ou chás probióticos são alguns dos negócios que imigrantes abriram no último ano em Portugal, apoiados pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM), com as mulheres a liderarem este empreendedorismo.

Criado em 2015, o Gabinete de Apoio ao Empreendedor Migrante (GAEM) funciona nos Centros Nacionais de Apoio à Integração de Migrantes (CNAIM) e visa promover o capital empreendedor dos migrantes.

Através do Projeto de Promoção do Empreendedorismo Imigrante (PEI), o GAEM promove cursos de “Apoio à Criação de Negócios”, os quais têm a duração de 62 horas e orientam os participantes na estruturação de uma ideia de negócio e no desenvolvimento de competências empreendedoras.

De acordo com dados do ACM, a que a agência Lusa teve acesso, o GAEM realizou, desde 2015, 1.149 atendimentos, promoveu cursos, realizou workshops e Lojas POP-UP para conferir visibilidade aos negócios e fomentou a articulação com organismos diversos de apoio ao empreendedorismo.

Recorrem a estas iniciativas sobretudo “imigrantes que pretendem desenvolver uma ideia de negócio em Portugal ou que já tenham um negócio criado, independentemente da sua complexidade ou valor do investimento financeiro”.

Estes formandos normalmente já levam uma ideia de negócios e encontram nestas formações ferramentas para aspetos muito concretos, nomeadamente a nível organizacional e também de promoção.

Ao todo, participaram nestas ações formativas 2.384 cidadãos, dos quais 695 de nacionalidade brasileira. A maioria (1.497) são mulheres.

Com a ajuda destas formações, têm surgido no mercado português empresas de imigrantes, tendo até 2019 sido formalizados 206 negócios.

O ano passado foi, aliás, o ano com mais novos negócios e atividades concretizados, tendo sido constituídas 31 empresas e atividades, em áreas como transportes, construção civil, saúde, entre outros (68%) e na restauração (32%).

Entre janeiro e agosto deste ano, e mesmo após o aparecimento da pandemia, foram criados 22 novos negócios e atividades com o apoio e o acompanhamento do ACM, o que revela “a resiliência dos empreendedores migrantes”.

A maior parte destes projetos foram lançados por mulheres (13), seis por homens e três por ambos.

“Além de confirmarem a tendência de que este apoio é sobretudo solicitado por mulheres, estes números mostram que, pela primeira vez e de forma clara, as mulheres passaram também a ser o público que mais concretiza efetivamente os seus projetos”, indicou o ACM à Lusa.

A esmagadora maioria dos empreendedores é composta por brasileiros, existindo ainda angolanos, sírios e luso-venezuelanos.

O ACM sublinha “a crescente digitalização dos negócios e atividades” como uma das tendências mais recentes.

Por área de negócio, estes empreendedores imigrantes apostaram nas atividades comerciais online (seis), restauração e bebidas (cinco), marketing digital (quatro), pequenas unidades industriais (três), serviços empresariais (dois), saúde e beleza (um) e serviços de transporte (um).

As próximas turmas, com o máximo de 25 lugares, voltam às aulas em outubro, desta vez online, “para que ninguém fique para trás”, conforme refere o ACM, para quem a capacidade empreendedora das pessoas migrantes é “uma mais-valia para o desenvolvimento económico do país de acolhimento, para o próprio migrante e, muitas vezes, com impacto positivo também no país de origem”.

/ AG