António Costa já se pronunciou sobre a saída do presidente da Caixa Geral e Depósitos (CGD), António Domingues. O primeiro-ministro lamenta mas assegura que terá um novo nome e a futura composição da administração ainda esta semana. Recusa ainda qualquer mossa que o momento tenha feito na instituição. Mas, para já, uma coisa é certa, quem ajudou a desenhar o plano para a Caixa com as instituições europeias não o colocará em prática.

O Governo lamenta, obviamente, mas num regime democrático todos temos que respeitar a legislação aprovada pela Assembleia da República, mesmo quando não concordamos com ela", disse aos jornalistas em jeito de recado.

 

Agora o que é essencial é que a Caixa tenha, rapidamente, uma administração e esta semana vamos apresentar aos mecanismos de supervisão europeus um novo nome para liderar a Caixa, de forma a dar execução quer ao plano de negócios, quer de recapitalização, que estão aprovados e irão prosseguir. Essa é a parte fundamental para ter uma Caixa que esteja em boas condições, para ser um pilar da economia portuguesa", acrescentou o primeiro-ministro.

O chefe de Governo recusa entrar na especulação de qualquer nome, mas promete um processo ágil - com o nome a ser revelado ainda esta semana - lembrando que "hoje o processo é mais demorado porque depende da designação por parte do Governo mas também da aprovação dos mecanismos europeus (...) mas não vamos especular nomes".

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Três meses de uma administração que quase não teve tempo de o ser. Um tempo quase todo ocupado com o tema da entrega, ou não, da declaração de rendimentos, e da sua revelação pública, no Tribunal Constitucional por parte da equipa de António Domingues e do próprio.

Os jornalistas ainda tentaram saber se a quebra de confiança e a falta de apoio, tanto de António Costa, como do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao presidente da CGD tinha sido a razão para que apresentasse a demissão, mas Costa recusou qualquer falta de confiança política, remetendo o motivo da saída para a declaração de rendimentos.

"As razões são conhecidas. Houve uma discordância sobre a disposição aprovada na Assembleia da República. Fora isso, se não houvesse confiança política a acionista teria procedido à demissão", disse.

Quanto ao perigo que a situação provoca para a Caixa "por amor de Deus!" disse o primeiro-ministro. O que é essencial, é "independente da composição da administração".

"A CGD tem muitos anos e já teve muitas administrações", concluiu. Resta aguarda pelo "sim" a um novo nome em Bruxelas e Frankfurt, sendo certo que o homem que ajudou a desenhar a recapitalização do banco público não participará da implementação desse plano.

Alda Martins / (Atualizada às 13:23)