O sindicato dos motoristas de matérias perigosas lamentou esta segunda-feira que a ANTRAM não estivesse preparada para as negociações, dando-lhe agora sete dias para responder às reivindicações e pondo em cima da mesa a possibilidade de uma nova greve.

Pedro Pardal Henriques, do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), disse estranhar que a Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) não conhecesse já as reivindicações dos motoristas, garantindo que a estrutura sindical não está “a brincar” e exigindo que a associação se pronuncie dentro de uma semana.

O SNMMP e a ANTRAM estiveram reunidos no Ministério das Infraestruturas, em Lisboa, sob a mediação do Governo, representado pelo advogado Guilherme Dray.

Caso a associação não se pronuncie dentro do prazo estipulado, os trabalhadores vão utilizar “todos os mecanismos” de que dispõem, em especial, e “muito provavelmente”, uma nova paralisação, assegurou Pedro Pardal Henriques, o assessor jurídico do sindicato e antigo vice-presidente.

Entre as reivindicações dos motoristas de matérias perigosas está um salário de 1.200 euros, um subsídio de 240 euros e a redução da idade de reforma.

É lamentável ter-se passado este tempo desde o pré-aviso de greve e até à data de hoje e a ANTRAM dizer que está surpreendida com aquilo que nós estamos a reivindicar. Nós interrompemos a greve porque [a associação] se comprometeu a negociar connosco, mas chegaram aqui hoje e não estavam preparados”, afirmou Pedro Pardal Henriques aos jornalistas no final da reunião.

Porém, a pedido do Governo o sindicato aceitou dar o período de uma semana para a ANTRAM se pronunciar, estando agendado para a terça-feira da próxima semana o retomar das negociações.

Por sua vez, o vice-presidente da ANTRAM admitiu que a associação “não trazia respostas”, tendo em conta que só hoje teve acesso a uma proposta integral.

Foi estabelecido um calendário de negociações […], como tal não se pode querer respostas imediatas”, defendeu Pedro Polónio.

O responsável da associação alertou ainda que “é preciso refletir” os custos que estão associados às exigências destes trabalhadores, vincando que “não existem apenas” motoristas de mercadorias perigosas.

Admitimos que possa existir algum reforço da diferenciação entre estes motoristas e os demais, mas, como é óbvio, por uma questão de justiça, não pode haver aqui um tratamento tão desproporcionado quanto aquele que tem vindo a ser público”, assegurou.

Confrontado com a possibilidade de os motoristas de matérias perigosas avançarem com uma nova greve, Pedro Polónio referiu que a ANTRAM “não trabalha sob ameaça de greve” e que uma nova paralisação é prematura.

Se há uma ameaça de greve é claramente prematura porque, na verdade, estamos novamente a ser colocados sobre uma pressão que não é correta para se negociar. Foi negociado, foi aceite que haveria paz social. Não quero estar aqui a dizer se os trabalhadores têm ou não direito à greve […], mas não deixa de estar assinada essa cláusula de paz social e a ANTRAM pretende cumpri-la sem margem de dúvida. Espero e confio que o sindicato também o faça”, concluiu.

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas foi criado no final de 2018 e tornou-se conhecido com a greve iniciada no dia 15 de abril, que levou o Governo a decretar uma requisição civil e, posteriormente, a convidar as partes a sentarem-se à mesa de negociações.

A arbitragem do executivo levou a que os representantes sindicais e empresariais chegassem a acordo, no dia 18, definindo um calendário para o início das negociações, sendo a paralisação desconvocada de imediato.

Durante os três dias de paralisação o sindicato conseguiu mais 200 sócios, que são agora mais de 700, num universo de cerca 900.