O Banco Central Europeu quer uma solução rápida para problemas bancários em Itália e em Portugal. Para François Villeroy, membro do Conselho de Governadores do BCE, não é "normal" que os problemas locais pesem tanto sobre a imagem do setor a nível europeu.

Hoje, em entrevista à Antena 1, o ministro das Finanças frisou que Portugal fez bastantes progressos no setor bancário, com a capitalização dos bancos, e em termos orçamentais, com um "enorme ganho de credibilidade".

A questão do malparado foi reconhecida por Mário Centeno, mas lembrou que é "um problema europeu". "Mais do que os montantes, temos de ter consciência que o malparado é um problema de bancos subcapitalizados. Quando os bancos conseguem lidar, a relevância do malparado reduz-se drasticamente. Foi isso que aconteceu com a Caixa Geral de Depósitos e com o BCP, ao longo de 2016 e 2017. Com o Novo Banco, o processo permitirá que o banco possa lidar com o problema do crédito malparado", disse o governante à rádio pública.

Recentemente, também o Fundo Monetário Internacional emitiu avisos sobre o setor bancário europeu, que considera estar sobredimensionado em alguns países, caso precisamente de Portugal: a banca nacional tem demasiados funcionários e balcões e é necessário reduzir o crédito problemático, em balanço. Apesar de ter melhorado as perspetivas para a economia nacional, o fundo liderado por Christine Lagarde acenou logo a seguir com avisos.

Um dos dossiês que mais preocupam os banqueiros, em Portugal, é o da venda do Novo Banco. Ainda no final da semana passada, em carta enviada ao Banco de Portugal, a Associação Portuguesa de Bancos fez um alerta para os riscos e para os custos envolvidos no negócio.

Hoje, a referência do BCE à banca portuguesa e italiana surgiu num contexto de reconhecimento de que a União Europeia deve estabelecer regras simples para o capital dos bancos para completar a União Bancária, sob uma única supervisão da UE.

Falando em Paris na sua função de líder do regulador do sector financeiro francês ACPR, Villeroy disse que a UE também precisa de uma melhor coordenação entre o supervisor único que é o BCE, a Comissão Europeia e os reguladores nacionais.

"Dois anos e meio depois da União Bancária, houve progressos claros, mas a sua construção ainda não está concluída. Precisamos terminar o pilar de resolução com regras completas e mais simples", argumentou, citado pela Reuters.

Voltou também a insistir no apelo para que a compensação de grandes transações em euros seja feita em países cobertos pela supervisão do BCE. "Depois do Brexit, não vemos como isso poderia acontecer em Londres".