António Costa Silva esteve esta quarta-feira no Parlamento, onde apresentou aos deputados o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020/2030, documento que pretende ser o motor de Portugal na resposta à crise provocada pela covid-19.

Durante a audiência, Costa Silva disse que Portugal é o país mais desigual da Europa. Mas será mesmo assim? Em parceria com o Observador, a TVI analisou os factos na rubrica "Hora da Verdade", na qual são verificados os factos com rigorosos mecanismos de fact checking.

A desigualdade a que se refere Costa Silva está presente na distribuição de rendimentos, um indicador que é medido pelo Eurostat, gabinete de estatísticas da União Europeia que compara os dados entre os vários países.

Os números mais recentes dizem respeito a 2019, e referem-se a contas entre os 20% da população com rendimentos mais elevados e os 20% com menores rendimentos.

Os dados são claros, e mostram que, neste parâmetro, a Bulgária é o país com maior assimetria, sendo que Portugal até fica mais bem posicionado que países como a Espanha, Lituânia ou a Roménia.

A tendência mantém-se quando são verificados os dados de 2018, altura em que Portugal tinha abaixo de si 12 países, entre os quais estavam Reino Unido, Itália ou Luxemburgo.

Concluindo, nenhum dos casos aponta que Portugal seja o mais desigual dos casos analisados.

Mas, se formos olhar para o coeficiente de GINI, indicador que mede a desigualdade sem contar apenas com os que ganham mais e menos, Portugal continua a não ser o pior. Com efeito, e segundo os últimos dados disponíveis, referentes a 2018, há 11 países mais desiguais.

Com base nos factos verificados, e utilizando a escala de fact checking do Observador, as declarações de António Costa Silva estão erradas.

António Assis Teixeira / Parceria TVI/Observador