Os trabalhadores da Groundforce já foram contactados sobre a intenção da empresa de pagar parte dos salários de fevereiro. Ao que a TVI conseguiu apurar, cada trabalhador deverá receber cerca de 500 euros, num bolo total que corresponderá a um milhão e 200 mil euros.

O acordo para o pagamento parcial de salários surge um dia após o ministro das Infraestruturas ter informado que a empresa "tem dinheiro em caixa" que permitiria pagar, "presumo", cerca de metade dos salários dos trabalhadores da Groundforce.

Em conferência de imprensa, Pedro Nuno Santos garantiu ainda que o Estado tem conseguido, em vários setores, "chegar a acordo com os sindicatos". No entanto, reitera: "Nós não podemos infelizmente a continuar a expor a TAP sem ter garantias que protejam a TAP (...) Aquilo que estamos a exigir é perfeitamente razoável".

Na mesma conferência, Pedro Nuno Santos lançou ainda uma garantia. O Estado não tem interesse em deter uma companhia de handling. "Não queremos nacionalizar a Groundforce", sustentou.

Neste momento, a Groundforce está também a negociar um financiamento bancário de 30 milhões de euros para fazer face às dificuldades da empresa. Em comunicado enviado na quinta-feira, a Pasogal adiantou estar "já negociado" o empréstimo bancário com aval do Estado, "de 30 milhões de euros das anunciadas linhas Covid".

A TAP exige que, assim que o dinheiro chegue à conta da empresa, a Groundforce regularize as suas dívidas para com a companhia aérea, que já vão em 12,3 milhões de euros, de acordo com o Governo. A Groundforce deve ainda mais dez milhões de euros à ANA – Aeroportos.

Também na quinta-feira, em conferência de imprensa, o ministro das Infraestruturas disse que o empréstimo bancário à Groundforce seria dado por um banco privado, com aval do Estado, realçando que as exigências para o financiamento aguardado serão "as mesmas" que as impostas para o adiantamento pela TAP.

Questionado sobre a demora da operação, apontada pela empresa como justificação para o atraso no pagamento dos salários, o governante adiantou que "havia um conjunto de informação que estava a ser pedida [à empresa], mas não estava a ser dada e isso atrasou o processo".

A disponibilidade para fazer essa operação existe", disse, referindo que "em princípio, [...] o empréstimo chega durante o mês de março".

Pedro Nuno Santos sublinhou que "é preciso que se entenda que as exigências que a TAP está a fazer à Groundforce [para o adiantamento de 2,05 milhões de euros para pagamento de salários em atraso] são as mesmas que o Estado português exigirá pelo empréstimo bancário".