O Produto Interno Bruto (PIB) português registou um crescimento de 4,9% no segundo trimestre face ao primeiro e de 15,5% face ao mesmo período do ano passado, confirmou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o INE, estas estimativas preliminares para o segundo trimestre de 2021 refletem um "período em que se verificou um plano de reabertura gradual da economia, após um novo confinamento geral no início do ano, devido ao agravamento da pandemia".

O instituto nota que a variação homóloga de abril a junho (-5,3% no trimestre anterior) “é influenciada por um efeito de base, uma vez que as restrições sobre a atividade económica em consequência da pandemia se fizeram sentir de forma mais intensa nos primeiros dois meses do segundo trimestre de 2020, conduzindo então a uma contração sem precedente da atividade económica”.

O contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB em volume “passou a positivo e foi acentuado no segundo trimestre” (+15,4 pontos percentuais), enquanto o contributo da procura externa foi nulo.

“Refira-se ainda que no segundo trimestre de 2021, em termos homólogos, se registou uma perda nos termos de troca, tendo o comportamento do deflator das importações sido influenciado, em larga medida, pelo crescimento pronunciado dos preços dos produtos energéticos”, refere o INE.

No período, o consumo privado (despesas de consumo final das famílias residentes e das instituições sem fim lucrativo ao serviço das famílias) registou uma variação homóloga de 17,5% (-6,6% no primeiro trimestre de 2021 e -14,4% no segundo trimestre de 2020).

Já o consumo público aumentou 9,8% em termos reais no segundo trimestre (variação homóloga de 2,8% no primeiro trimestre), notando o INE que este indicador “registou uma taxa de variação homóloga negativa no segundo trimestre de 2020 (-3,9%), traduzindo o impacto negativo na produção não mercantil em volume das medidas de confinamento, que implicaram o encerramento de vários serviços públicos”.

Quanto ao investimento, passou de um crescimento de 3,9% no primeiro trimestre para 10,5% (-10,0% no segundo trimestre de 2020).

A procura externa líquida apresentou um contributo nulo para a variação homóloga do PIB (-2,2 pontos percentuais no trimestre anterior e -4,6 pontos percentuais no segundo trimestre de 2020).

As exportações de bens e serviços passaram de uma diminuição homóloga de 9,6% em termos reais de janeiro a março para um aumento de 39,4% (variação de -39,2% no segundo trimestre de 2020), enquanto as importações passaram de uma taxa de - 4,3% no primeiro trimestre para 34,3% (-29,1% no segundo trimestre de 2020).

No segundo trimestre, as despesas de consumo final das famílias residentes apresentaram uma variação homóloga de 18,1% em volume, após a redução de 6,8% no trimestre anterior e de 14,8% no segundo trimestre de 2020.

O Valor Acrescentado Bruto (VAB) a preços base registou uma variação homóloga de 13,8% (-4,0% no trimestre anterior e -14,9% no 2º trimestre de 2020).

Comparativamente com o primeiro trimestre de 2021, o PIB aumentou 4,9% em volume, “mais que compensando” a variação em cadeia negativa (-3,2%) observada nesse trimestre e refletindo “os impactos económicos da pandemia”, já que ao confinamento geral do início do ano se seguiu um plano de reabertura gradual a partir de meados de março.

De acordo com o INE, este resultado “traduziu, em larga medida, o contributo positivo expressivo da procura interna (5,4 pontos percentuais) para a variação em cadeia do PIB, após ter sido negativo no primeiro trimestre”.

“Em menor grau – acrescenta – refletiu ainda um contributo da procura externa líquida menos negativo no segundo trimestre de 2021”.

Face ao primeiro trimestre, as exportações totais diminuíram 2,0% em termos reais (-2,6% no primeiro trimestre), verificando-se variações em cadeia de sentidos opostos nas duas componentes: -5,2% na componente de bens e +9,6% na de serviços.

Já as importações totais registaram uma variação em cadeia de -0,8% no segundo trimestre (+0,1% no primeiro trimestre), tendo as duas componentes apresentado também variações com sinais opostos, com a componente de bens a diminuir 2,3% e a de serviços a aumentar 8,6%.

Relativamente aos três primeiros meses do ano, as despesas de consumo final das famílias residentes aumentaram 8,8% (variação em cadeia de -4,2% no trimestre anterior), enquanto o investimento total diminuiu 3,2% (aumento de 4,0% no trimestre anterior).

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