O Centro Cultural de Belém vai ter um hotel de cinco estrelas e novos espaços comerciais. O concurso para a construção vai ser lançado este ano, finalmente, depois de os projetos terem sido adiados por anos consecutivos. A obra em si deverá arrancar em 2018.

A garantia foi dada pelo presidente do CCB, Elísio Summavielle, numa entrevista divulgada no jornal Público e na Rádio Renascença. Há quase um ano à frente da instituição, promete fazer tudo “para que sejam construídos os módulos 04 e 05 do Centro Cultural de Belém (CCB), a ocupar por um hotel, e outras áreas comerciais”.

Sobre as contas finais do CCB de 2016, deu a indicação se serem "bastante melhores do que as de 2015”. “Neste momento, a instituição não tem passivo”.

A sustentabilidade da casa só pode ser assegurada por uma iniciativa que me parece fundamental e que eu vou seguir durante este ano: o lançamento do concurso para a construção dos módulos 04 e 05 do CCB. Há muitos anos que se fala disso, mas até hoje, por razões diversas, nunca avançou. É essa a minha prioridade do ponto de vista da economia da fundação, independentemente de uma melhoria progressiva da diversidade e da qualidade da oferta cultural”.

Elísio Summavielle disse que a “conjuntura está francamente favorável à construção de hotel de prestígio, de cinco estrelas, com cerca de 160 quartos”.

“Existem vários estudos prévios. Isso será depois afinado com o ‘atelier’ do autor do projeto, Gregotti-Salgado [Vittorino Gregotti e Manuel Salgado, que fizeram o CCB] ”, disse.

De onde vem o dinheiro?

Questionado sobre se vai arranjar dinheiro, nomeadamente investimento privado, Summavielle salientou que isso será definido nos termos do concurso.

Estou já a negociar com a câmara [de Lisboa] e a envolver a Associação de Turismo de Lisboa neste processo. Muito em breve terei reuniões com as Finanças no sentido de saber qual é a fórmula adequada para o concurso, mas tudo me leva a crer que o investidor investirá na construção. Será, portanto, um contrato de concessão, construção e exploração”.

Ainda não há “interessados diretamente”, mas “já houve pelo menos um ou dois privados que sondaram”.

No que diz respeito à expropriação dos terrenos, Summavielle disse que está totalmente resolvida. “As cadernetas prediais já estão na nossa posse e, de facto, os terrenos pertencem à Fundação CCB. Há essa condição para lançar agora o concurso e fazer o caderno de encargos. É um trabalho complexo, exigente. Não gosto de prometer, mas gostava que em 2018 fosse lançada a primeira pedra”.

Na entrevista, Elísio Summavielle disse também que numa casa como o CCB, “a autonomia é necessária a uma boa performance: É desejável que aconteça e quanto mais rápido melhor”.

Quanto ao plano para o eixo Belém-Ajuda, Summavielle, que nunca concordou com a estratégia, afirmou que vai aproveitar algumas coisas do projeto. “A soma das receitas dos equipamentos [do eixo] dá para criar uma empresa lucrativa. Mas não é essa a intenção. Há no entanto que fazer algum trabalho de coordenação com as restantes instituições, mas no que diz respeito à programação, à divulgação, à sinalética”.

O abandono do anterior projeto para o eixo Belém-Ajuda, centrado no CCB, levou à demissão do ex-presidente da instituição António Lamas, e à sua substituição pelo antigo diretor-geral do Património Cultural e ex-secretário de Estado da Cultura Elísio Summavielle, durante a gestão de João Soares como ministro da Cultura.

Em causa, na discordância entre o Governo e a direção de Lamas no CCB, estava o "não envolvimento no projeto da Câmara Municipal de Lisboa”, apontada pelo executivo como “um parceiro privilegiado em qualquer modelo de gestão", como se lia no comunicado do Conselho de Ministros, que extinguiu a missão.