O Facebook viu vários dos seus serviços falharem, esta segunda-feira, não só em Portugal, mas um pouco por todo o mundo. No entanto, os problemas do gigante tecnológico não ficaram por aqui: ao final do dia, além estar a lidar com problemas relacionados com a denúncia de que favorecem conteúdos de ódio, violência e desinformação, a empresa que detém o Instagram e o Whatsapp viu as suas ações desvalorizarem 5,75%, uma das piores quedas dos últimos 12 meses.

Em Portugal, os problemas começaram a ser sentidos sensivelmente desde as 16:30, constatou a agência Lusa relativamente ao Facebook e Instagram. No entanto, o problema foi sentido um pouco por todo o mundo. Utilizadores de países como os Estados Unidos, México, França, Roménia, Noruega, Geórgia, Grécia já registaram no portal Downdetector que estão a ter problemas.

No caso da aplicação de troca de mensagens WhatsApp, quando os utilizadores enviam mensagens, aparece o ícone de um relógio e a mensagem não é enviada.

Poucas horas depois, as ações da empresa caiam quase 6%, quase 19 dólares ( aproximadamente 16 euros), para um mínimo de 323 dólares por ação (cerca de 278 euros).

O problema afetou de forma direta o dono do Facebook. Nas horas em que as redes sociais estiveram sem serviço, Mark Zuckerberg perdeu seis mil milhões de dólares (perto de 5,17 mil milhões de euros) por causa da desvalorização bolsista, o que lhe valeu uma queda na lista das pessoas mais ricas do mundo.

Esta queda surge depois de uma antiga funcionária, que divulgou dados comprometedores da empresa ao Wall Street Journal, ter saído do anonimato. Frances Haugen, de 37 anos, especialistas em Ciência de Dados com licenciatura em informática e um mestrado de gestão em Harvard, veio a público criticar a empresa de Mark Zuckerberg por “otimizar em favor dos próprios interesses” ao invés de zelar pelo “interesse público”. 

Haugen alega que o gigante das redes sociais tem enganado os investidores e omite o seu conhecimento sobre os efeitos do discurso de ódio e da desinformação nas suas plataformas.

A mulher foi recrutada pela empresa em 2019, tendo trabalhado nos últimos 15 anos em tecnológicas como a Google ou Pinterest. "Estive em várias redes sociais e no Facebook era substancialmente pior do que já tinha visto", disse ao jornalista Scott Pelley. 

Por isso, este ano, decidiu copiar centenas de milhares de páginas de documentos da empresa, que provam que o Facebook fazia menos do que estava ao seu alcance para combater a disseminação de conteúdos de ódio, violência e desinformação.