Uma quinta-feira vermelha para as ações europeias, com a praça portuguesa a não ser exceção

Os mercados bolsistas andam agitados e a prisão de a administradora financeira da tecnológica chinesa Huawei, Meng Wanzhou, deu o mote que faltava, com os receios de que adense a já tensa relação entre os Estados Unidos e a China.

As tensões geopolíticas [concretamente o fornecimento, ou não, ao Irão] e o cenário internacional, com algumas organizações a apontam trimestres de menor crescimento em algumas economias mais desenvolvidas, acabam por potenciar estas quedas do mercado de ações”, disse à TVI24 o diretor de Negociação do Banco Carregosa, João Queiroz.

Acrescentando que "os investidores ficam mais avessos ao risco e mais suscetíveis a más notícias como a da Huawei (…), e aproveitam estas situações para recalibrar as carteiras de ativos e trocar, por exemplo, ações por obrigações.”

“Este também é um contexto de alguma correção de alguns índices na Europa, sobretudo, na Alemanha (…) numa altura em que os resultados das empresas também já não revelam o mesmo ritmo de crescimento.” 

O principal índice alemão DAX, muito orientado para a exportação, que também tem uma grande exposição à China, cai esta quinta-feira mais de 2%. Depois de o tombo que teve com a possibilidade de menor crescimento da maior economia da Europa.

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Mesmo assim, nas tecnológicas, a Nokia e a Ericsson registam um bom desempenho, ambas subindo ligeiramente, já que a prisão da CFO da gigante de tecnologia chinesa aumentou a pressão sobre a rival e grande líder na tecnologia de 5G, diz a Reuters.

Pelo quadro dos principais índices bolsistas podem verificar que os mercados dos EUA ainda acumulam ganhos enquanto a Europa parece “lutar” por não aumentar as desvalorizações.

A executiva e filha do fundador da gigante tecnológica foi presa no sábado no Canadá a pedido dos Estados Unidos, em um movimento que pode aumentar as tensões entre os dois países em um momento delicado, noticiou o The New York Times

A prisão de Meng Wanzhou ocorreu na mesma noite em que o presidente Trump e o presidente da China, Xi Jinping, jantaram juntos em Buenos Aires e concordaram com uma trégua comercial de 90 dias. Os dois países estão prontos para iniciar negociações, embora tensas, na esperança de acabarem com uma guerra comercial que vem atingindo as duas economias.