Os sindicatos normalmente são quem mais se bate pelas atualizações salariais, mas a UGT entende que é prematuro estar a falar já em nova subida do salário mínimo nacional, que acabou de aumentar 27 euros para os 557 €.

A meta do Governo é chegar aos 600 euros no final da legislatura, em 2019. Numa entrevista ao Público e à Renascença, o líder da central sindical, Carlos Silva foi questionado sobre se entende existirem condições para continuar a aumentar a o salário mínimo até esse patamar.

É a pergunta que fica. Vamos aguardar até ao final do ano para ver que condições é que há para avançar com o acordo que o PS sufragou com o Bloco de Esquerda para passar para os 580 euros. Vamos aguardar, Não sabemos".

Ou seja, Carlos Silva opta por um discurso prudente, cauteloso, não dando como garantido algo que ainda está no campo das promessas eleitorais e em acordos políticos que não se sabe quanto tempo vão durar. Sendo que é preciso atender à "realidade da economia".

De precedente em precedente...

O que se passou com a TSU abriu "um precedente", na ótica da UGT. Se houver novo caso que faça tremer os acordos à esquerda, se BE e PCP falharem numa "nova TSU", o sindicalista defende que o PS deverá "retirar as devidas consequências". 

Quanto ao PSD, a mudança de posição na TSU surpreendeu a UGT. "Não concordamos, mas respeitamos". O maior partido da oposição, diz, "jogou politicamente em relação à concertação". 

Não digo que seja responsabilidade única do PSD. (...) Fez uma opção política que tinha riscos. E o risco foi desapoiar aqueles que sempre apoiou. O Governo, e não estou a desculpar ninguém, talvez se tenham refugiado na mesma convição dos parceiros sociais"

Que convicção? A abstenção. Mas o partido de Passos Coelho logo anunciou o voto contra a descida da TSU, recusando ser uma "muleta" do Governo que nem sequer incluiu o partido na negociação. 

Chamar CGTP? "Governo teve posição pouco cuidada"

Depois veio o plano B e a UGT não gostou que o primeiro-ministro chamasse em primeiro lugar a CGTP para dar conta da alternativa à TSU - a redução do PEC em 100 euros com um bónus

A posição do Governo foi, no mínimo, pouco cuidada. Teria sido de bom-tom e até de algum cuidado e respeito institucional que tivessem sido recebidos os subscritores [do acordo de concertação social] primeiro".

Quanto a isso, a posição da UGT mantém-se e as centrais sindicais estão de costas voltadas: se a CGTP também assinar a adenda ao acordo - Governo e parceiros reúnem-se esta sexta-feira com esse fim- a central sindical liderada por Carlos Silva fará fincapé. Só assina se a intersindical de Arménio Carlos ficar de fora. 

Redação / VC