O presidente da Associação Agrícola da ilha das Flores adiantou esta quarta-feira que as rajadas de vento forte que se registaram no último fim de semana devido à tempestade tropical Helene provocaram prejuízos na produção de milho naquela ilha.

Em relação aos milhos de silagem, principalmente, estamos com perdas significativas porque os milhos estavam prontos a ensilar, estavam muito pesados e, com o vento que se fez sentir de sábado para domingo, os milhos viraram e estão a dar muito trabalho na colheita e a produção vai ser muito mais baixa”, assegurou Valter Câmara à agência Lusa.

O representante dos agricultores florentinos considera que “a situação é complicada”, sendo que há sobretudo prejuízos na zona de “Santa Cruz, Lajes e Caveira”, da ilha das Flores, devido ao “vento de quadrante sul”.

Valter Câmara diz que, para já, não é possível fazer a contabilização de prejuízos, apesar de estimar que sejam “significativos”.

Temos plena consciência que existem prejuízos na questão da produção e que existem muitos prejuízos na questão da colheita porque as pessoas vão ter um trabalho muito superior relativamente ao que estavam realmente à espera (…) Não há volta a dar. É tentar colher os milhos o mais rápido possível para que eles não se estraguem mais do que já estão e não há outra solução”, disse.

Chuva “veio ajudar à seca”

Por outro lado, a chuva “veio ajudar à seca” porque os “terrenos estavam com falta de água” ajudando na “produção de erva” para alimentar o gado.

Contudo, Valter Câmara considera que “não será suficiente” para assegurar alimento no inverno.

Já é tarde para fazer colheitas, para se fazer reservas para o inverno. Na questão da produção (de erva) para a atualidade, com estas chuvas, vai melhorar. As ervas estão a crescer e as pastagens estão a melhorar, mas vamos ter sempre um inverno complicado porque na altura de se fazer as colheitas e as reservas para o inverno verificou-se seca e não tínhamos produção de erva para recolher”, disse.

Valter Câmara diz que essa falta de alimento para os animais, por falta de “reservas”, deverá verificar-se “a partir de Outubro, Novembro” quando a “produção de erva começar a diminuir”.

Quando se chegar ao início do inverno vai sentir-se a falta do alimento que deveria ter sido colhido durante o verão e que não foi porque não existia”, sublinhou.