O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, assumiu esta quarta-feira que a operadora SATA vive um "contexto desafiante", num ano em que "já faliram dez companhias aéreas", mas assegurou o compromisso de defesa da empresa.

Falando em plenário da Assembleia Legislativa dos Açores, numa intervenção no segundo dia de debate do Plano e Orçamento dos Açores para 2020, Vasco Cordeiro reiterou que o executivo a que preside quer uma SATA que "continue a servir os Açores e os açorianos de uma forma cada vez mais reforçada".

Contudo, o "contexto desafiante em que a companhia está" foi lembrado pelo governante, acrescentando que "só no ano de 2019 já faliram dez companhias aéreas".

Não ignorando o contexto desafiante em que a companhia está, assumimos o compromisso de tudo fazer para que a companhia possa servir melhor os Açores, a sua economia e os açorianos", acrescentou.

Questionado pelo deputado único do PPM no parlamento dos Açores, Paulo Estêvão, sobre a rejeição da parte do PS de ser escutado em sede de comissão o ainda presidente da SATA, que entretanto colocou o lugar à disposição, o governante declarou que António Teixeira "podia ser ouvido democraticamente", mas "é inquestionável que houve uma decisão democrática de não o ouvir" e que tem de ser respeitada.

O antigo administrador da TAP, Luís Rodrigues, foi anunciado no dia 14 deste mês como o novo presidente da transportadora aérea açoriana SATA.

O até agora presidente do conselho de administração da transportadora aérea SATA, António Teixeira, apresentou no início do mês a sua saída do cargo por motivos de "ordem pessoal" e pelo atraso na "implementação de medidas de reestruturação", anunciou a empresa.

Além de razões de ordem pessoal, por entre as principais razões que motivaram a sua decisão, encontram-se o atraso verificado na implementação de medidas de reestruturação, que considerou urgentes e necessárias, bem como a impossibilidade de reduzir, até ao final do ano 2019, os prejuízos do Grupo SATA, para metade do valor registado em 2018", declarou então a SATA em nota enviada à imprensa.

Em 2018, a SATA registou um prejuízo de 53,3 milhões de euros, um agravamento de 12,3 milhões face ao ano de 2017.

Na apresentação das contas de então, o presidente da empresa, que agora abandona a função, manifestou a intenção de baixar os prejuízos em 2019 para cerca de metade do registado em 2018, o que foi já assumido como um "compromisso comprometido", após prejuízos nos primeiros seis meses de mais de 32 milhões de euros.

António Luís Gusmão Teixeira foi indicado em julho de 2018 pelo Governo dos Açores para a presidência do conselho de administração da SATA, substituindo Paulo Meneses, que ocupava o cargo desde o final de 2015.

A empresa prepara atualmente um novo concurso para privatizar 49% da Azores Airlines, ramo da SATA que opera de e para fora do arquipélago, após o primeiro ter sido cancelado devido à divulgação de "informação tida por sensível".

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