O Governo português quer que Agência Europeia do Medicamento (EMA) voe de Londres, onde tem sede atualmente, e aterre em Lisboa. Para convencer a que a mudança seja para Portugal, pretende criar um regime fiscal especial em sede de IRS para os cerca de 900 funcionários daquele entidade.

A ideia é que o escalão máximo deste imposto não ultrapasse os 20%. “Já está acordado com o ministério das Finanças que o escalão máximo será de 20%. E sabemos que é um dos mais amigáveis”, referiu ao Jornal de Notícias a presidente do Infarmed, Maria do Céu Machado, que esteve nos últimos dois dias em Londres, para reunir com os dirigentes da EMA.

Devido à saída do Reino Unido da união europeia, a agência quer encontrar um nova sede e Lisboa é uma das cerca de 20 candidatas. A autarquia do Porto já se queixou da "visão centralista" do Governo, garantindo que tem todas as condições para acolher o regulador europeu.

O processo ainda deverá demorar alguns meses, uma vez que a candidatura pode ser entregue até 31 de julho. O veredicto final será dado pelo Conselho Europeu só a 20 de outubro.

A presidente do Infarmed diz que Portugal tem hipóteses, mas entende que a decisão vai ser política.

Se Lisboa ganhar, será criado um balcão único para ajudar os funcionários a comprar casa e encontrar escola para os filhos.

O prazo para a mudança será o final de março de 2019, mas para que as crianças possam ser integradas nas escolas nacionais, o ideal seria acontecer um pouco antes.

Os pontos fortes de Portugal são, para além de um nível de vida mais barato comparativamente com Londres, a segurança, o clima e o sistema de saúde.

O primeiro-ministro já admitiu que a corrida neste processo "não é fácil", dada a numerosa concorrência, mas está ao mesmo tempo convicto de que Lisboa tem os seus trunfos.