A primeira greve geral, que uniu as duas centrais sindicais (UGT e CGTP) foi em 1988 e a situação do país era incomparável com os tempos de hoje. Portugal era um país mais pobre, mas alguns indicadores económicos eram mais positivos do que agora. Por exemplo, este ano, o desemprego é quase o dobro do que era há 22 anos.

Em 1988 era Cavaco Silva que estava à frente do Governo e os sindicatos uniam-se pela primeira vez contra um pacote de medidas para o emprego. Agora, o actual primeiro-ministro lida com um conjunto mais alargado de críticas.

Pedro Ferraz da Costa foi presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) e não acredita no impacto destas greves.

Portugal era um país diferente em 88. A inflação era de 9,6% quando este ano a previsão é de que não ultrapasse 1,1%. Há 22 anos, um trabalhador português recebia em média o equivalente a 225 euros, agora, em 2010, o salário médio é de 840 euros.

Um país mais pobre em 1988, mas que tinha quase metade dos desempregados. A taxa de desemprego foi de 5,6% e este ano os últimos dados do INE falam em 10,9%.

As contas públicas também estavam mais controladas em 88. O défice público era de 3,6% e a meta que o Governo quer cumprir este ano é de um défice de 7,3%.

Na altura, os sindicatos falaram de uma adesão esmagadora, que o Governo desvalorizou. Uma guerra de números que se mantém até hoje.
Redação