A empresa Savannah anunciou que submeteu hoje à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) e o Plano de Lavra para o projeto de exploração de lítio na Mina do Barroso, em Boticas.

A Mina do Barroso é um projeto da Savannah Lithium, Lda., empresa subsidiária da Savannah Resources Plc., uma sociedade cotada na bolsa de valores de Londres AIM (London Stock Exchange) focada na prospeção e desenvolvimento de ativos mineiros em vários países do mundo.

O projeto previsto para o concelho de Boticas, no distrito de Vila Real, está a ser contestado pela população local que criou a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) para lutar contra a mina.

A empresa anunciou hoje, em comunicado, que submeteu à APA o relatório síntese do EIA, bem como o Plano de Lavra, em fase de estudo prévio, para o seu projeto de exploração de lítio na Mina do Barroso.

De acordo com a empresa, a “entrega dos dois documentos representa o culminar de cerca de 18 meses de trabalho em conjunto com consultores ambientais especializados, na recolha de dados, análise, desenho e planeamento de todo o projeto, tal como nas melhores soluções para a eliminação ou mitigação de eventuais impactes”.

Estamos satisfeitos com a entrega destes dois documentos, que apresentam de forma clara e transparente um conjunto de evidências baseadas em factos que mostram que a Mina do Barroso pode ser um projeto de baixo impacte, que minimiza as perturbações no ambiente natural e nas comunidades locais, enquanto maximiza os benefícios socioeconómicos muito significativos, que o projeto pode trazer para a região e para Portugal como um todo”, afirmou no comunicado David Archer, CEO (diretor executivo) da Savannah.

E continuou: “estamos comprometidos em desenvolver e operar a Mina do Barroso de forma responsável e sustentável, para que o lítio do projeto entre na cadeia de fornecimento de baterias com uma pegada de carbono mínima e, assim, agregue um claro benefício ambiental claro de longo prazo a um recurso essencial para a sustentabilidade económica e combate às alterações climáticas”.

Após um período preliminar de apreciação da conformidade por parte da APA, o EIA e o Plano de Lavra entram em consulta pública, para discussão por todas as partes interessadas.

No comunicado a empresa não especifica dados sobre os documentos, mas na localidade de Covas do Barroso os populares têm apontado críticas à forma de exploração a céu aberto e preocupações relacionadas com a “dimensão da mina” e com os impactos ambientais.

Contactada pela agência Lusa, fonte da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) afirmou que não compreende como o “estudo foi feito sem acesso às terras e sem se saber o que vai ser explorado, onde ou como”.

Ficamos à espera que o documento fique disponível para consulta pública para podermos analisá-lo, sem sabermos bem que capacidade teremos para analisar seis mil páginas no período que nos é permitido e com as restrições com que atualmente vivemos”, salientou a fonte da associação.

O presidente da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga, também disse à Lusa que aguarda por conhecer o “documento na íntegra para fazer uma análise e, depois, contrapor, sempre no pressuposto da defesa do interesse da população do concelho”.

Um estudo divulgado no início de maio pela empresa e realizado pela Universidade do Minho estima a criação “de cerca de 800 postos de trabalho (200 diretos e 400 a 600 indiretos) durante a fase de operação”.

O projeto de exploração mineira prevê um investimento “de 110 milhões de euros”.

A Savannah Lithium é uma empresa de prospeção mineira que, desde 2017, tem desenvolvido estudos para o desenvolvimento de um projeto de exploração de feldspato litinífero e subsequente produção de concentrado de espodumena na Mina do Barroso, cuja concessão existe desde 2006.

/ AG