Quando era criança quase de certeza sonhava com que os carros voassem, certo? Miniaturas na mão e lá iam eles. Se já for adulto, apostamos que no trânsito já lhe apeteceu ter o poder de estalar os dedos e voar por cima das filas intermináveis. Esses sonhos já estiveram bem mais longe da realidade. Há empreendedores – cerca de uma dúzia de empresas em todo o mundo - que estão a acelerar o protótipo de um carro voador.

"Em apenas 10 anos, podem estar no mercado produtos que revolucionam as viagens urbanas para milhões de pessoas", antecipou à AP Zach Lovering, líder do projeto Urban Air Mobility da Airbus, para desenvolver um táxi voador autónomo. Já tem nome e tudo: Vahana, nome a remeter para uma divindidade hindu.

Não é a única, mas já lá vamos. Continuamos, por agora, o exercício da imaginação com base naquilo que as empresas estão a desenvolver por agora: alguns dos carros-avião funcionarão como drones e os passageiros poderão programar voos através dos seus smartphones. A chinesa EHang, por exemplo,está apostada nisto. Outros serão operados a partir do solo ou num centro de comando, outros ainda terão pilotos humanos.

As questões técnicas são complexas e já houve tentativas falhadas no passado recente. Os obstáculos são muitos também a outros níveis, a começar logo por conseguir convencer os reguladores de que essas viaturas com asas serão seguras, por um lado. e como é que poderão dividir o espaço aéreo a baixa altitude com outros aviões, sem acidentes.

O ponto de partida é claro: as tecnologias utilizadas terão de ser limpas para evitar ainda mais poluição nas cidades. Daí que outro problema será conseguir baterias leves que durem tempo suficiente para que os veículos sejam autónomos. Atualmente, segundo os especialistas, só se aguentariam entre 15 a 30 minutos antes da aterragem. Pouco tempo para atravessar cidades próximas ou ligar áreas metropolitanas.

Baixar o ruído associado é outro desafio, já que se pressupões que estes táxis aéreos descolem e aterrem em áreas densamente povoadas.

Não é de descartar a necessidade de ser implementado, ao mesmo tempo, um novo sistema de controlo do tráfego aéreo. Nisso, a NASA pode dar uma ajuda, já que está a desenvolver um sistema do género para pequenos drones que poderá, eventualmente, ser alargado para a nova era dos carros voadores.

Os modelos em desenvolvimento

Descolam e aterram na vertical, como os helicópteros. Com motores elétricos alimentados por bateria em vez de um motor convencional de pista dos aviões. São assim vários protótipos. 

A aerovae S2 da Joby Aviation, Califórnia, parece por acaso mais um avião convencional, mas com 12 rotores espalhados pelas asas e pela cauda.

 

Já o Vahana da Airbus é completamente diferente em termos de aspeto.

O Cormorant, da israelita Urban Aeronautics, pode voar entre edifícios e linhas de energia baixa, atingir velocidades até 115 mph (183 km/hora) e ficar no ar durante uma hora.

Está também a ser desenvolvido, segundo a Fox News, o Lilium Jet, da empresa de tecnologia alemã Lilium Aviation, um avião de dois lugares que descolará verticalmente usando 36 motores de ventiladores elétricos, dispostos ao longo de suas asas.  A companhia eslovaca AeroMobil desenvolveu um carro com asas que se desdobram para voar. Move-se a gasolina.

A fabricante chinesa de drones EHang testou um avião de transporte de pessoas em Nevada, um cockpit com quatro braços equipados com rotores. As metas de descolagem e pouso estão pré-programadas. Tudo será controlado, assegura, por uma estação de comando na China.

Outra empresa, a Terrafugia, de Massachusetts, quer começar a produzir os modelos Transition / TF-X em 2019, depois de uma década a desenvolver o seu carro com asas, para circular em estrada ou no espaço aéreo.

Não podemos esquecer a Zee, que desenvolve aeronaves com o patrocínio do co-fundador da Google, Larry Page. Garante estar a trabalhar numa  "nova forma revolucionária de transporte" na "interseção da aerodinâmica, fabricação avançada e propulsão elétrica". Mas o segredo é, dizem, a alma do negócio e pouco mais se sabe. A Google testou já também o seu carro sem condutor.

O futuro está perto?

Ainda não falámos dos custos. Ainda não é claro quanto dinheiro é preciso para desenvolver um carro voador e as empresas estão a fechar-se em copas sobre isto. Uma coisa parece certa: os preços possam variar bastante, até dependendo do uso, se pessoal, se comercial, dos aparelhos.

Não é 100% seguro dizer que estes carros voadores serão mesmo uma realidade, mas há quem esteja a investir milhares de euros na inovação. Até porque mercado potencial não falta: já imaginou existirem táxis aéreos ou pequenos aviões que façam a ligação entre zonas mais congestionadas e o destino final, sem ter de passar pelo suplício do trânsito infernal das grandes cidades?

Atuais e futuras megacidades - Fonte: Site da Airbus

Isso abriria portas a mudanças noutro setor, o da construção, com edifícios preparados com telhados a servir de piso de aterragem, poe exemplo. Basta pensar naquelas torres de escritórios que existem nas capitais, para perceber como poderiam ser úteis, sobretudo em horas de ponta.

A Uber também tem defendido este negócio, vendo futuro no transporte a pedido. Não tem, no entanto, qualquer plano para investir num modelo. Quer é que outras empresas o façam e servir, depois de “catalisador para toda a indústria”.

Se há 100 anos, a aposta foi para o transporte subterrâneo, “agora temos os meios tecnológicos para ir acima do solo”, lembrou este mês o CEO da Airbus, Tom Enders. O mundo vive a quarta revolução industrial, onde o digital é rei. Pé no acelerador. A inovação a bater asas.

Redação / VC