O programa de assistência da «troika» a Portugal «está a correr como o previsto», disse esta quinta-feira o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que no entanto não comentou a possibilidade de um segundo resgate.

Opinião idêntica tem o presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI) que já veio dizer que a consolidação em Portugal «está a ser bem sucedida».

Durante uma conferência de imprensa em Frankfurt, Draghi foi interrogado sobre a possibilidade de Portugal - tal como aconteceu à Grécia - receber um segundo resgate financeiro, para lá dos 78 mil milhões de euros já acordados, no dia em que a autoridade monetária apontou para uma recessão na Zona Euro este ano.

Draghi passou a palavra ao seu vice-presidente português, Vítor Constâncio, notando apenas que «a segunda revisão da troika [BCE, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional] mostrou que, tanto do ponto de vista orçamental como estrutural, o programa está a correr como previsto». Ainda assim, destacou, «não pode haver um ou dois países a pagar pelos outros».

Já Constâncio reiterou que a avaliação positiva da «troika» ao programa português «é a questão essencial».

«O resto são perceções do mercado. As autoridades da Zona Euro disseram várias vezes em termos muito claros que havia um único caso em que seria necessário o envolvimento do setor privado» no reajustamento da dívida, disse Constâncio, referindo-se ao caso da Grécia.

«Não haverá mais casos» de envolvimento do setor privado na renegociação da dívida soberana de um país da Zona Euro, acrescentou Constâncio. O antigo governador do Banco de Portugal não comentou diretamente, contudo, a possibilidade de um segundo resgate para Portugal.

O BCE decidiu esta quinta-feira manter a sua taxa diretora em mínimos históricos de 1%, o mesmo nível que nos dois últimos meses.

A autoridade monetária anunciou ainda que o seu lucro quadruplicou com crise da dívida soberana dos países do euro.
Redação / CPS