Os centros comerciais registaram quebras homólogas de vendas de 25,6% na primeira semana de reabertura pós-confinamento, entre 19 e 25 de abril, enquanto nas lojas de rua as perdas foram de 33,3%, revela esta quinta-feira um inquérito da AMRR.

Não é possível continuarmos com restrições horárias e de lotação tão restritas, para o bem da sobrevivência de dois setores vitais para a economia nacional”, sustenta o presidente da Associação de Marcas de Retalho e Restauração (AMRR), citado num comunicado.

Globalmente, os dados do mais recente inquérito aos associados da AMRR, representantes de mais de 3.500 lojas e restaurantes em centros comerciais e em espaços exteriores, apontam que, na semana em análise, as quebras de vendas atingiram os 28,3%.

Reclamando que “os lojistas precisam de apoios”, Miguel Pina Martins diz que é preciso “encarar a realidade de que, ao longo do último ano, a generalidade das lojas esteve encerrada durante seis meses e, durante o restante período, encontra-se limitada em horários e lotação”.

Não podemos fingir que não existiu um segundo confinamento. Existiu e foram três longos meses, com faturação zero e com exigência de pagamentos de 60% das rendas, a que acrescem vários outros custos fixos. Dezenas de milhares de euros exigidos para zero euros faturados. Isto não é equilibrado nem sustentável”, conclui o dirigente associativo.

No comunicado, o líder da AMRR diz ainda ser preciso analisar “com cuidado” os dados recentemente divulgados pela Reduniq, segundo os quais no primeiro dia de reabertura (segunda-feira, dia 19), os centros comerciais de todo o país registaram mais 25% de faturação do que a média das segundas-feiras de abril de 2019, superando os valores pré-covid.

De acordo com Pina Martins, estes dados “apenas contabilizam pagamentos feitos por meios eletrónicos, o que, embora haja mais utilizadores, não dá a conhecer todo o universo”, e não inclui o fim de semana, “dias em que os lojistas tiveram de encerrar às 13:00, levando a que as perdas tenham sido muito superiores”.

A AMRR recorda ainda os resultados obtidos no inquérito feito no passado mês de março aos seus associados e que revela que “82% das empresas de retalho e restauração admite despedimentos perante ausência de apoios em 2021 e 97% considera importante ou muito importante a isenção das rendas ou do apoio ao seu pagamento durante o período de encerramento”.

No mesmo inquérito – acrescenta – 74% das empresas destes setores considerou ainda importante ou muito importante que as moratórias de crédito sejam prolongadas”.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.152.646 mortos no mundo, resultantes de mais de 149,5 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.974 pessoas dos 836.033 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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